Sabrina Noivas 111 - A Convenient Bridegroom
Seria possvel dizer "no"? Faltando duas semanas para o casamento, era tarde demais para Aysha desistir de sua unio com Cario Santangelo. Todos esperavam ver uma noiva radiante, entrando na igreja mais do que satisfeita por seu casamento de convenincia estar unindo duas poderosas famlias. Aysha sabia que ganharia riqueza, prestgio e o homem mais sexy que uma mulher poderia querer. Completamente apaixonada pelo futuro marido, Aysha queria ter um casamento de verdade com Cario, mas teria de recorrer a todo seu poder de seduo para tir-lo de uma vez por todas dos braos da amante!

Digitalizado por Sunny
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Srie Society Weddings
Autor	Ttulo	Ebook	Data
Lee, Miranda	The Wedding-Night Affair
	Aug-1999Wood, Sara	The Impatient Groom
Sabrina Noivas 107 -
O Noivo Impaciente	Sep-1999Reid, Michelle	The Mistress Bride
	Oct-1999Lyons, Mary	The Society Groom
	Nov-1999Bianchin, Helen	A Convenient Bridegroom
Sabrina Noivas 111 - 
Antes do Sim	Dec-1999Kendrick, Sharon	Society Weddings: Promised to the Sheikh
	Aug-2002Walker, Kate	Society Weddings: The Duke's Secret Wife
	Aug-2002

    


CAPTULO 1
-Boa noite, cara. Voc vai passar a noite por l mesmo, no vai? Aysha assentiu com sutileza, muita sutileza. Sempre se surpreendia com a maneira como sua me conseguia dar um comando na forma de uma sugesto, e diz-lo no tom de uma pergunta polida.
Claro que passaria a noite fora de casa. Como se tivesse escolha. Desde que se entendia por gente, sua vida sempre fora comandada por outros. A melhor-escola particular, os cursos extracurriculares particulares, as frias no exterior... tudo. Tambm havia estudado bal, equitao e lnguas. Oh, e falava italiano e francs fluentemente. Tudo aprendido sob o comando alheio.
Aysha Benini era o produto da educao de seus pais. Sempre na moda, elegante e com estilo, ela era uma espcie de "atestado visual" da riqueza e do status da famlia. Algo que precisava ser ostentado a qualquer custo. E at mesmo sua carreira como decoradora de interiores parecia acrescentar um toque de glamour  imagem da famlia.
- Querida?
Ao ouvir a voz da me, Aysha atravessou a sala e beijou-a no rosto.
- Sim,  provvel que eu passe a noite por l - respondeu.
Teresa Benini arqueou uma sobrancelha com elegncia. - Eu e seu pai no vamos ficar esperando-a. Aysha assentiu. Sabia muito bem o que aquilo queria dizer. Com um suspiro, verificou. o contedo da bolsinha que iria levar, pegou as chaves do carro e se encaminhou para a porta.
- Ciao. Nos veremos depois - disse  me, enquanto abria a porta.
- Divirta-se, cara.
O que Teresa Benini considerava se divertir?, Aysha se perguntou enquanto caminhava at o carro. Desfrutar de um jantar magnfico em um restaurante chique, na companhia de Carlo Santangelo, e depois ter uma longa e ardente noite de amor?
Aysha sentou-se ao volante de seu Porsche Carrera preto. Ento ligou o motor possante e seguiu em frente, acionando-o boto que abria o porto automtico. Segundos depois, estava a caminho da cidade.
A certa altura, uma rstia de luz atingiu o solitrio no dedo anular de sua mo direita. Lindamente desenhado, e escandalosamente caro, o anel de diamante era o smbolo da futura unio entre a filha de Giuseppe Benini e o filho de Luigi Santangelo.
"Benini-Santangelo", pensou ela, com certa amargura, enquanto percorria as ruas movimentadas da cidade. Dois imigrantes, donos de propriedades vizinhas, em uma cidade ao nordeste da Itlia, haviam viajado para Sydney no final da adolescncia. Seu pai e o pai de Carlo. Ao chegarem  capital do novo pas, os dois haviam comeado a trabalhar em dois empregos todos os dias da semana e a economizar cada centavo que ganhavam, at conseguirem comear um negcio no ramo de cimento, quando estavam com vinte e poucos anos.
Ao longo dos quarenta anos seguintes, Benini-Santangelo se tornou um nome poderoso na indstria de Sydney, com uma imensa fbrica e um negcio bilionrio.
Cada um deles se casara algum tempo depois e tivera um nico filho. Cada um dos casais vivia em manses suntuosas, tinha carros luxuosos e havia dado aos filhos a melhor educao que o dinheiro pudera comprar.
As famlias haviam mantido uma relao estreita ao longo dos anos. A ligao entre elas era quase to intensa quanto a de uma famlia.
A New South Head Road levava a Rose Bay, e Aysha aproveitou para admirar a paisagem por um instante. As seis e meia da tarde, com o sol de vero se refletindo j palidamente sobre ele, o mar lembrava uma imensa jia azulada, envolta por um cu pontilhado pelas primeiras estrelas da noite. Os altos prdios da cidade apresentavam diferentes tipos de arquitetura, criando um esplndido pano de fundo para a Opera House e uma belssima paisagem para Harbour Bridge.
O trfego foi se tornando mais intenso conforme Aysha foi se aproximando do centro da cidade. Por isso, j eram quase sete horas quando ela entrou na curva que dava para a entrada do hotel e deixou o carro aos cuidados do manobrista.
Ela poderia, ou melhor, deveria ter permitido que Carlo a apanhasse em sua casa. Seria mais prtico, mais sensato. Entretanto, naquela noite ela no estava se sentindo exatamente sensata.
Cumprimentou o recepcionista com uma ligeira inclinao de cabea e dirigiu-se ao hall. Estava quase chegando aos sofs de espera quando uma familiar voz masculina lhe chegou aos ouvidos. Carlo.
S de v-lo, Aysha sentiu o corao disparar. No final da casa dos trinta anos, Carlo tinha um metro e oitenta e dois, e um fsico simplesmente invejvel. Seu rosto bonito lembrava uma escultura detalhadamente trabalhada, com um olhar intenso e lbios mais do que perfeitos. O formato do queixo quadrado era quase sempre amenizado pelo sorriso charmoso que vez por outra curvava seus lbios, deixando-o com uma aparncia perigosamente atraente. Os cabelos castanho-escuros tinham um corte impecvel e os olhos negros pareciam capazes de ler a alma de Aysha, sempre que ela se encontrava diante deles.
- Aysha.
Ele se inclinou e beijou-a levemente nos lbios, antes de segurar-lhe as mos.
Deus, como ele era lindo, pensou Aysha, provavelmente pela milsima vez. Como se no bastasse, aquele perfume masculino de essncia amadeirada a deixava excitada, sempre que ele se aproximava e a beijava daquele jeito. Ser que Carlo se sentia to afetado pela presena dela quanto ela sempre que o tinha por perto?
Isso era pouco provvel, concluiu ela, lembrando-se do contesto em que os dois haviam se conhecido. Bianca havia sido o primeiro amor da vida de Carlo. Uma linda jovem com quem ele havia se casado dez anos antes e que morrera em um terrvel acidente de carro poucas semanas aps o casamento. Aysha havia derramado lgrimas silenciosas no casamento dos dois, e depois chorara abertamente no funeral de Bianca.
Na tentativa de esquecer o sofrimento, Carlo se dedicara completamente ao trabalho, o que o levara a ser considerado no mundo dos negcios como um dos melhores estrategistas do pas.
Ele j havia sado com muitas mulheres, aproveitando selecionadamente o que elas tinham a oferecer, mas sem pensar em encontrar uma substituta para Bianca.
Isso at o ano anterior, quando ele passara a prestar mais ateno em Aysha e a demonstrar o interesse de estreitar o relacionamento entre os dois.
A proposta de casamento a pegara de surpresa, embora Aysha fosse apaixonada por ele desde sempre. Mas seu amor no era correspondido, e ela tinha noo, disso. Seu casamento com Carlo serviria apenas para reforar o poder do conglomerado Benini-Santangelo, dando incio a uma nova gerao de herdeiros na famlia.

- Est com fome?
A voz de Carlo a trouxe de volta  realidade.
- Faminta - respondeu com um sorriso, e com um sbito brilho de animao no olhar.
- Ento, vamos jantar.
Carlo passou o brao pela cintura dela e conduziu-a at os elevadores.
O restaurante ficava na cobertura do hotel e era cercado de vidros por todos os lados, oferecendo uma belssima vista da cidade e do porto.
- Teve um dia ruim? - perguntou ele, ao sarem do elevador, j dentro do restaurante.
Aysha olhou-o de soslaio. Nunca conseguia esconder nada de Carlo.
- Hum-hum - confirmou. - Por onde quer que eu comece? - Contando nos dedos, prosseguiu: - Por um cliente irado, um gerente de loja mais irado ainda, um tecido importado que foi rasgado por acidente, ou pelo centsimo ajuste do meu vestido? Pode escolher.
- Signor Santangelo, signorina Benini. Sejam bem-vindos.
O matre os cumprimentou antes que Carlo pudesse responder alguma coisa a ela. Sem perguntar, o homem elegantemente vestido os conduziu  mesa de sempre.
O especialista em vinhos apareceu assim que eles se acomodaram e, como Carlo, Aysha tambm escolheu vinho branco.
- Oh, e um copo de gua gelada, por favor - acrescentou ela, enquanto observava Carlo se recostar na cadeira e olh-la com ateno.
- Como est Teresa? - perguntou ele, assim que o homem se retirou.
- Ei, essa  mesmo uma questo importante, se  que existe mesmo alguma - respondeu ela, com certa ironia. - No poderia ser um pouco mais especfico?
- Ela a est deixando maluca.
O comentrio fez os lbios de Aysha se curvarem em um sorriso.
- Acho que tem razo - anuiu ela. - Qual  o problema dessa vez?
- O vestido de noiva - Aysha respondeu. - A estilista no gosta dos palpites que minha me insiste em oferecer. Enquanto falava, a imagem do lindo vestido feito de seda, tafet e renda surgiu em sua mente.
- Entendo.
- No, voc no entende.
Ela se interrompeu enquanto o vinho era servido. Depois disso, Carlo foi o primeiro a falar:
- O que eu no entendo, cara? Que Teresa, como a maioria das mamas italianas, quer um casamento perfeito para a filha? A festa, os garons, a comida, a bebida, o bolo, a limusine, tudo perfeito? Por isso, claro que o vestido tambm tem de ser perfeito, segundo a opinio dela.
- Voc esqueceu de mencionar as flores - ironizou Aysha. - O florista est prestes a ter um chilique. O fornecedor do buf j est querendo desistir porque diz que seu tiramisu  uma verdadeira obra de arte e que, por isso, no pode ser trocado pelas receitas da "velha Itlia", como quer minha me.
Carlo sorriu.
- Teresa  uma tima cozinheira.
Teresa era tima em tudo, e era justamente esse o problema. Em conseqncia, queria que todos fossem to perfeitos quanto ela.
O garom se aproximou da mesa e anotou os pedidos, antes de se retirar com discrio.
Aysha tomou um gole de gua, ento olhou para Carlo. - Com que seriedade voc levaria em conta uma proposta de fuga?
- E por que nos arriscaramos a levar conosco a "maldio de Teresa", por no termos realizado o maior evento social do ano? - ironizou Carlo.
Aysha arqueou uma sobrancelha perfeita. - Pela minha sanidade?
O garom serviu a sopa de entrada.
- Faltam apenas duas semanas, cara - Carlo lembrou a ela.
Aquilo seria uma verdadeira eternidade, pensou Aysha. Esperava conseguir sobreviver.
Ao provar a primeira poro da sopa, fechou os olhos um instante, desfrutando o delicioso sabor. O tempero estava perfecto.
- Temos um ensaio na igreja marcado para amanh  noite.
Aysha abaixou o garfo, sentindo seu apetite ser temporariamente afetado.
- s seis e meia - confirmou, com desnimo. - E depois teremos o jantar oferecido a todos.
Os pais, os noivos, as damas de honra e seus pares, as daminhas e seus pares e os pais destes. Sem dvida, seria um jantar agitado, pensou Aysha.
Tambm teria de se preparar para seu ch de cozinha, dali a dois dias. Na lista havia cinqenta convidadas, e Teresa ficara de providenciar diverso, petiscos e champanhe.
Aumentando ainda mais o estresse de Aysha, ela havia se recusado a parar de trabalhar trs meses antes do casamento, como sua me sugerira. Pelo menos havia um lado positivo e ela no se desgastava tanto com os detalhes do casamento enquanto estava com os clientes. Mas o lado positivo era o tempo extra que tinha de passar na belissima manso que Carlo havia mandado construir para eles, supervisionando a instalao de carpetes, das cortinas, dos mveis e a combinao das cores e texturas. O pior, porm, era discutir com Teresa, pois era assim que costumava chamar sua me quando a opinio das duas no coincidia, algo que acontecia com mais freqncia do que ela gostaria.
- Quanto quer por eles?
Aysha olhou para Carlo, notando seu ar de divertimento. - Por seus pensamentos - explicou ele, ao notar a expresso confusa no rosto dela.
- Eu estava pensando na casa. A decorao est ficando tima.
- Est contente com isso? - Como poderia no estar?
Ainda que se tratasse de uma casa para ser exibida para a sociedade, Aysha pretendia fazer o possvel para transform-la em um lar.
Pouco depois de eles haverem terminado de comer, o garom apareceu discretamente e serviu o prato principal: pasta com molho de frutos do mar. Enquanto saboreavam a comida, Aysha no pde deixar de notar mais uma vez a elegncia e a sofisticao de Carlo. Ele emanava uma espcie de sensualidade primitiva que atraa as mulheres feito um m. Os homens invejavam aquela combinao de rudeza atenuada com charme irresistvel. No ntimo, sabiam que a combinao era fatal.
Aysha conhecia cada uma das qualidades de Carlo, e s vezes se perguntava se seria mulher suficiente para estar  altura delas.
- Quer pedir a sobremesa agora, srta. Benini?
O evidente desejo de agradar demonstrado pelo jovem garom estava sendo quase embaraoso. Aysha sorriu para ele com gentileza.
- No, obrigada. Vou querer apenas um caf.
- Ganhou um f - observou Carlo, quando o rapaz se retirou.
Um brilho de divertimento surgiu nos olhos dela. - Est com cime?
Ele arqueou uma sobrancelha. - Pareo estar?
Aysha gostaria muito de poder dizer que sim, mas no seria a verdade. E talvez por isso mesmo tenha sentido vontade de continuar com a provocao.
- Bem, ele  jovem, tem boa aparncia... - Fingiu considerar a possibilidade por um instante. -  provvel que seja um estudante universitrio trabalhando  noite em um restaurante como esse para conseguir bancar os estudos. Isso indicaria que ele tem potencial. Ser que ele aceitaria deixar tudo isso por uma "aventurazinha"? O sorriso de Carlo fez Aysha sentir um arrepio pelo corpo. - Acho que est na hora de lev-la para casa, isso sim. - Vim com meu prprio carro, lembra-se?
- Isso foi uma tentativa de demonstrar independncia ou uma indicao de que voc no pretende dividir a cama comigo esta noite?
Aysha no conseguiu conter o sorriso.
- Teresa j deixou claro que atender s suas necessidades fsicas deve ser minha prioridade.
- E ela tem razo? - indagou ele, em um tom provocante. - Ela acredita que tem. - Aysha saiu pela tangente. A expresso de Carlo continuou impassvel.
- Como voc?
Aysha se ajeitou na cadeira. Teria Carlo idia de quanto ela o amava? Esperava que no, pois, com certeza, isso seria um detalhe que a deixaria em desvantagem.
- Termine seu caf - disse ele, quando ela continuou em silncio. - Sairemos em seguida.
Ele levantou a mo e fez um sinal discreto para o garom, que apareceu com a conta pouco depois. Aysha estava tensa, mas disfarou isso muito bem. Ainda assim, Carlo estreitou o olhar.
- Temos algo programado para o prximo fim de semana? -perguntou ele.
- Minha me marcou compromissos para cada dia at o casamento - respondeu ela.
- Ento faa com que ela reorganize a agenda. Aysha olhou-o com interesse.
- E se ela no aceitar?
- Diga que eu lhe fiz uma surpresa e que reservei duas passagens para um fim de semana em Gold Coast.
- Voc fez isso?
Ele sorriu com charme.
- Farei a ligao assim que chegarmos no meu apartamento.
Aysha tambm sorriu, s que de pura satisfao. - Ah, meu cavalheiro de armadura branca.
Ele ficou de p e estendeu a mo para ela. - Poder me agradecer depois.
Os dois se encaminharam juntos para o elevador, depois de receberem um "boa noite" do maitre.
No demorou muito para chegarem ao apartamento de Carlo. As cortinas estavam afastadas, revelando a bela vista do porto  noite. Mais adiante, era possvel ver os prdios do centro da cidade, lembrando grandes torres de vidro iluminadas pelas luzes da noite.
De costas para Carlo, Aysha apenas ouviu quando ele pegou o telefone. Em seguida, ele fez a reserva no vo e no hotel de Gold Coast para o fim de semana.
- Poderamos tranqilamente morar aqui - falou ela, ainda admirando a vista.
- Sim, poderamos.
	Carlo enlaou os braos em torno da cintura dela, abraando-a por trs. Aysha no pde deixar de sentir um arrepio de excitao diante daquela deliciosa proximidade. Ainda mais quando os lbios de Carlo roaram a parte sensvel atrs de sua orelha.
Ela quase fechou os olhos, fingindo que aquela demonstrao de carinho era mesmo real. Que era amor e no desejo o que Carlo sentia por ela.
Um gemido silencioso surgiu e foi abafado ali mesmo, em sua garganta, quando os lbios dele deslizaram por sua pele macia e ele acariciou a base de seu pescoo com a ponta da lngua.
Ao mesmo tempo, uma mo firme, mas carinhosa, cobriu seu seio, enquanto a outra deslizou sobre seu ventre. Aysha queria apress-lo, pedir a ele que a despisse de uma vez e a amasse ali mesmo, sobre o tapete felpudo, mas no teve coragem. Tudo em Carlo era muito controlado. Mesmo na cama ele nunca perdia o controle, diferentemente dela.
Havia momentos em que ela sentia vontade de gritar que embora aceitasse Bianca como parte do passado dele, ela era seu futuro. S que nunca dizia isso abertamente. Talvez porque tivesse receio da resposta de Carlo.
Devagar, virou-se de frente para ele e enlaou os braos em torno de seu pescoo. Ento levantou a cabea e procurou os lbios dele, deixando-se levar mais uma vez pela paixo.
Notando a urgncia nos gestos dela, Carlo a tomou nos braos e levou-a para o quarto. Assim que foi colocada no cho, Aysha comeou a abrir a camisa dele com dedos geis: Por fim, ajudou-o a tirar a camisa e jogou-a a um canto do aposento. No demorou muito para Carlo despi-la completamente, antes de livrar-se da prpria cala. - Espere.
A voz dele saiu rouca, quando Aysha deslizou a mo pelo abdome firme e foi descendo-a com ousadia.
- Ento voc quer brincar, hum? - provocou ela, com um selvagem brilho de desejo no olhar.



Captulo 2


Carlo segurou-a pelos braos e deslizou as mos at seus ombros delicados, antes de afundar o rosto na curva sensual do pescoo de Aysha. O perfume suave, mas provocante, que ela costumava usar, invadiu-lhe as narinas, aguando-lhe os sentidos. Deslizando os lbios e a ponta da lngua pela pele de Aysha, provou-a com sensualidade, mordiscando-a com uma suavidade que foi deixando-a cada vez mais excitada. Aysha era uma amante generosa. Costumava ter gestos ardentes e atitudes ousadas e divertidas que sempre tinham o poder de deix-lo louco de desejo.
Devagar, inclinou-se at encontrar um dos mamilos rosados. Ento sugou-o com voracidade, at sentir o bico se tornar deliciosamente trgido junto  sua lngua. Em seguida fez o mesmo com o outro mamilo de Aysha, at que os dois ficassem intumescidos e convidativamente eretos.
Aysha gemeu, ofegante. Ser que Carlo tinha idia do que estava fazendo a ela? Por um momento, no pde deixar de lamentar que tudo aquilo fosse apenas fsico, apesar das sensaes maravilhosas que estava experimentando. No entanto, era como se Carlo tivesse a noo exata de onde fazer as carcias corretas para despertar seu desejo. Sem amor.
Queria pelo menos uma vez, uma nica vez, sentir o corpo dele trmulo pela necessidade do seu. S do seu.
Querer amor seria pedir muito? Estava usando o anel que ele havia lhe dado e logo usaria o sobrenome dele. Para Carlo, pelo visto, isso era mais do que suficiente.
Ainda assim, Aysha no deixava de lado o sonho de querer significar para ele tanto quanto ele significava para ela.
"Pegue o que ele est disposto a oferecer e considere-se satisfeita com isso", disse-lhe uma voz interior. " melhor ter uma xcara pela metade do que uma xcara vazia."
Com um gemido, levou as mos aos cabelos dele e acariciou-os, ao mesmo tempo em que o puxava para si enquanto Carlo acariciava seus mamilos. Quando ele voltou a beij-la nos lbios, deslizou a lngua sensualmente por entre os lbios dele, at que suas lnguas se encontrassem em uma deliciosa dana primitiva. Carlo manteve uma mo em seu quadril. Com a outra espalmada sobre sua ndega, ele a puxou para si.
Aysha gemeu ao sentir o membro viril colado a seu ventre. Queria Carlo naquele instante, sem mais prembulos. Queria sentir toda aquela virilidade dentro de si e se deliciar com ela, sentindo e oferecendo prazer.
A carcia familiar, mas sempre bem-vinda, dos dedos experientes  procura de sua parte mais ntima foi recebida com um suspiro de puro prazer. Ento um gemido mais intenso irrompeu em sua garganta quando as carcias de Carlo se tornaram mais ousadas e insistentes. No parecia justo que um homem soubesse to bem quanto acariciar certos lugares deixava uma mulher completamente louca de desejo.
O beijo dele se tornou mais exigente e quando Aysha pensou que fosse explodir de prazer, sob o efeito daquelas carcias excitantes, Carlo a penetrou com um movimento firme e que a pegou deliciosamente de surpresa, fazendo-a emitir um gemido alto.
Deus, como aquilo era perfeito. Como o corpo de Carlo se ajustava perfeitamente ao seu, e como era bom senti-lo dentro de si mais uma vez. Surpreendeu-se quando ele a ergueu e levou-a para a cama.
Aysha quase protestou quando ele se afastou dela, desfazendo momentaneamente aquela ligao que por alguns segundos fora to importante para ela.
Com os lbios, Carlo traou uma trilha de fogo sobre sua pele, provando-a por inteiro. Aysha sabia que a inteno dele era deix-la louca de desejo, e era exatamente isso que ele estava conseguindo fazer.
Balanou a cabea de um lado para outro do travesseiro, imaginando se conseguiria sobreviver a tantas sensaes ao mesmo tempo. Parte dela queria que Carlo parasse naquele instante, antes que o clmax a assaltasse, mas um outro lado, seu lado feminino mais primitivo, queria que ele no parasse, que a levasse ao clmax apenas com carcias sensuais.
Carlo era um amante habilidoso. Sabia exatamente como proporcionar prazer a uma mulher. As deliciosas provocaes com os dentes, a lngua e os lbios, os dedos hbeis e insistentes, tudo parecia fazer parte de um irresistvel jogo ertico. Ele parecia saber exatamente at que ponto provoc-la, antes de recuar no momento em que ela parecia prestes a chegar ao clmax. Ento Aysha implorava por mais, e era o que tinha.
Quando ele parou uma ltima vez para sugar seu seio, o gemido dela foi quase de protesto. Queria-o dentro de si e no estava mais agentando esperar.
Felizmente, Carlo entendeu sua urgncia e, em meio a um novo beijo, penetrou-a com um gesto decidido, dessa vez no deixando dvida de que Aysha iria lhe pertencer completamente.
Ento ele comeou a se mover. A princpio com lentido e sensualidade, at a urgncia da busca pela satisfao levar ambos a se moverem em um ritmo cada vez mais intenso.
Para Aysha, aquilo era mais do que uma unio fsica. Estava oferecendo a Carlo seu corao, sua alma, tudo.
Pertencia a ele. Somente a ele. Naquele momento, seria capaz de morrer por ele, se fosse preciso.
E a noo disso continuou a assust-la muito depois, enquanto ainda estava nos braos dele, aps o maravilhoso pice de satisfao. No, no poderia permitir que seus sentimentos por Carlo continuassem a lev-la para aquela armadilha. Seu casamento seria uma convenincia, e ela precisava se lembrar disso, se no quisesse se magoar ainda mais.
A respirao ritmada de Carlo parecia um consolo tranqilizador, e o modo preguioso como ele estava deslizando os dedos ao longo de suas costas indicou que ele no estava adormecido. Por fim, foi sentindo a confortadora presso do corpo dele junto ao seu que ela adormeceu.
Quando acordou, Aysha continuou sentindo o corpo de Carlo colado ao seu. Queria poder compartilhar aquela languidez agradvel e trocar palavras carinhosas com ele. No entanto, sabia que no agentaria se no recebesse nenhuma resposta dele em troca.
Tentando deixar isso de lado, beijou-o de leve no peito e passou a ponta da lngua sobre o mamilo dele. De maneira provocante, deslizou a mo sobre o dorso msculo e foi descendo-a devagar, rumo  sua parte mais ntima. Sentiu o corpo de Carlo se tornar tenso de repente.
- Isso pode ser perigoso - avisou ele, quando ela comeou a acarici-lo com uma irresistvel intimidade. Aysha se limitou a olh-lo com um sorriso provocante, antes de continuar sua doce explorao. Queria oferecer a Carlo tanto quanto ele havia lhe oferecido, at deix-lo louco de desejo.
Uma breve exclamao de surpresa lhe escapou dos lbios quando Carlo a puxou de repente para cima dele. Sentiu uma intensa onda de desejo pelo corpo quando ele a segurou pelos quadris e guiou sua intimidade at a dele. Depois de se unirem por completo, ele a puxou para si e beijou-a com urgncia, insinuando a lngua entre os lbios dela e comeando a mov-la, em um arremedo daquilo que gostaria de fazer mais intimamente.
Aysha no conteve um gemido. Quando deu por si, seu corpo j havia comeado a se mover sobre o dele, imitando aquele movimento repleto de uma necessidade primitiva e sensual. Dessa vez, seria ela quem iria possu-lo, e pretendia faz-lo em grande estilo.
Ao erguer o corpo novamente, manteve aquele ritmo constante, entregando-se apenas s sensaes. Ento fechou os olhos com um gemido, ao sentir as mos de Carlo acariciando seus seios com gestos possessivos. Ele estava to louco de desejo quanto ela, e pretendia satisfaz-lo tanto quanto ele a satisfizera.
Deixando-se levar pelo ritmo cada vez mais intenso exigido por seus corpos, conduziu Carlo ao clmax com uma intensidade que chegou a assusta-la por um instante. A cada vez que faziam amor, era como se conseguissem reinventar aquele momento to mgico e especial.	
Muito tempo depois, Aysha foi a primeira a quebrar o silncio.
- Vou tomar banho primeiro - disse. - Enquanto isso, pode ir preparando o caf.
O sorriso que Carlo lhe deu em resposta fez seu corao acelerar.
- Que tal ns dividirmos o chuveiro e depois eu preparar o caf enquanto voc prepara o desjejum? - sugeriu ele. - Machista - brincou ela.
Carlo sorriu e acariciou os seios dela.
- Tambm podemos esquecer o desjejum e nos concentrarmos no chuveiro, se preferir...
Aysha gemeu baixinho.
- Por mais que a proposta seja tentadora, preciso de alimento para recuperar minhas energias.
- Tem razo - anuiu ele. - No quero v-Ia indo parar no hospital por causa de uma crise de fraqueza antes do casamento. Seria um vexame.
Aps beija-lo levemente nos lbios, Aysha foi primeiro para o chuveiro. Tomou um banho rpido, mas relaxante. Depois, enquanto Carlo tomava o dele, ela foi adiantando o desjejum. Como ele havia prometido, preparou o caf para os dois.
Quando ambos se sentaram  mesa, e ela provou o caf, considerou-o simplesmente perfeito.
- Hum... Isso est muito bom - disse a ele. - Voc  uma raridade, Carlo. Poucos homens conseguem preparar um caf como este.
- De machista a raridade em poucos minutos - brincou ele. - Sua omelete tambm est tima - acrescentou, aps provar a omelete.
Depois de tomar o desjejum rapidamente, Aysha ficou de p.
- Preciso ir andando. J estou atrasada e hoje  meu ltimo dia de trabalho antes do casamento. Tenho de deixar tudo encaminhado para no ter problemas depois. - Beijou-o nos lbios e acrescentou: - At  noite.
Aysha gostava muito do trabalho e o levava bastante a srio. Adorava o conceito de combinar cores, texturas e designs para transformar casas em lares. Havia conquistado sua tima reputao no mercado devido ao esforo que vazia para agradar os clientes. Mas nem sempre isso acontecia. Havia certos dias em que nada parecia dar certo e, pelo visto, esse seria um deles.
Apesar dos problemas, a tarde passou rapidamente e j eram mais de seis horas quando ela pegou o elevador para o apartamento de Carlo.
- Dez minutos - prometeu a ele, ao passar pela sala e ir direto para o quarto, tomar um banho e trocar de roupa.
Por fim, levou nove minutos para ficar pronta. Sem hesitar, pegou a bolsa e se encaminhou para a porta. - Calma - disse Carlo, atrs dela.
Aysha lanou-lhe um olhar de urgncia.
- Estamos atrasados. J deveramos ter sado, Carlo. Devem estar nos esperando.
Ele segurou a mo dela e puxou-a gentilmente para si. - Ento, tero de esperar mais... 
O modo como ele a beijou foi to gentil que Aysha se rendeu no mesmo instante. Era incrvel aquele poder que Carlo tinha sobre ela. Sempre que ele a tocava, era como se o resto do mundo desaparecesse.
Vrios minutos depois, ele levantou a cabea e observou o olhar lnguido e satisfeito de Aysha.
- Agora est melhor - disse, com um sorriso charmoso. - Vamos?
- Isso foi deliberado - protestou ela, enquanto se dirigiam ao elevador.
Como era possvel que um simples beijo houvesse tido o poder de deixa-la relaxada daquela maneira? Carlo fazia mesmo o que queria, e quando queria, com ela.
Os passos apressados de Aysha se transformaram em uma pressa mais contida, e ela no conseguiu deixar de sorrir para ele quando entraram no Mercedes de Carlo.
- Como foi seu dia? - perguntou, enquanto ajustava o cinto.
- Cheio de reunies, cotaes e projetos. Alm de muitos telefonemas - respondeu Carlo.
Ela suspirou.
- . Parece que no foi muito diferente do meu.
A igreja era uma bela construo antiga de pedra, um pouco afastada do centro da cidade e cercada por rvores e jardins.
Havia uma atmosfera de paz e tranqilidade no lugar, detalhe que Aysha considerou mais do que bem-vindo. Enquanto Carlo estacionava o Mercedes, ela observou que os carros dos demais j estavam todos ali.
Ir ao casamento de outra pessoa e assistir  cerimnia em vdeo ou na televiso era muito diferente de participar de seu prprio casamento, ainda que todos estivessem ali apenas para um ensaio, pensou Aysha.

- Quero carregar o cestinho - disse Emily, a mais jovem daminha de honra, tentando tira-la das mos de Samantha, a outra daminha.
- No quero carregar esta almofadinha - protestou Jonathan, o par de uma delas. - Isso parece coisa de menina.
Oh, Deus, pensou Aysha. Se o menino estava achando que carregar uma almofada era coisa de menina, imagine ento quando ele tivesse de usar um miniterno, faixa de cetim na cintura, camisa com punhos e gravata borboleta.
- Sim,  coisa de menina - confirmou o outro menino. - Mas vocs- tero de fazer isso -= insistiu Emily, tentando, apesar da pouca idade, mostrar a gravidade da situao.
- Eu no vou. - Nem eu. Aysha no sabia se ria ou se chorava.
- E se Samantha carregar o cesto com ptalas de rosas e Emily carregar a almofadinha?
- Eu quero a almofadinha - declarou Samantha. Para ela, carregar as alianas era mais importante do que derramar ptalas de rosas pelo corredor da igreja. - Pode ficar com o cestinho - protestou Emily, pelo visto deduzindo a mesma coisa.
Teresa revirou os olhos. As quatro damas de honra pareciam tensas, pois cada uma delas teria de ficar ao lado de uma das crianas durante a cerimnia. J estavam prevendo o problema que iriam ter.
- Est bem - disse Aysha, levantando as mos. - Ento ser assim: teremos dois cestinhos, um para Emily, outro para Samantha. - Lanou um olhar de aviso para os meninos. - E duas almofadas.
- Duas?! - repetiu Teresa, incrdula. - Sim, duas.
As meninas e os meninos comearam a protestar. Talvez houvesse sido mais sensato no deixar as crianas participarem do ensaio e simplesmente dizer a elas o que deveriam fazer no dia do casamento, pensou Aysha. Pelo visto, a ajuda celestial seria mais do que necessria, concluiu ela, ouvindo as instrues do padre.
Uma hora depois, eles j estavam acomodados na longa mesa de um restaurante. A comida estava boa e o vinho ajudou a relaxar a tenso dos adultos. Aysha aproveitou a informalidade da situao para se apoiar no brao confortador de Carlo.
- Est cansada? Ela o olhou e sorriu. - Foi um dia longo.
Ele se aproximou e roou os lbios discretamente na tmpora dela.
- Poder dormir pela manh.
- Oh, quanta generosidade - disse Aysha. - Mas vou precisar chegar em casa mais cedo para ajudar Teresa com os preparativos para o ch de cozinha, lembra-se?
J eram quase onze horas quando os convidados comearam a partir. E quando Aysha e Carlo chegaram ao apartamento dele, j era quase meia-noite. Assim que entrou na sala, ela tirou os sapatos, removeu a presilha que prendia seus cabelos, agitou-os levemente e foi para a cozinha.
- Vai preparar caf?
Aysha ouviu a pergunta de Carlo e sentiu quando ele se aproximou e comeou a lhe massagear os ombros tensos.
- Est bom assim?
"Sim, muito bom", pensou ela. "Bom at demais." - Hum-hum - murmurou, em resposta.
- Temos algum compromisso para amanh  noite? - Carlo perguntou.
- Por qu? Est querendo tirar a noite de folga?
- Bem, pensei em marcar um jantar ntimo, s para ns dois. - Continuando a massagear os ombros dela, ele acrescentou: - Eu poderia fazer isso aqui bem melhor se voc estivesse deitada.
Aysha sentiu um arrepio pelo corpo. - Isso pode se tornar perigoso.
- Talvez - murmurou ele ao ouvido dela. - Mas h muitas vantagens em se receber uma massagem por todo o corpo...
- Est tentando me seduzir?
O sorriso de Carlo fez o calor de sua respirao atingir a orelha de Aysha, provocando-lhe um delicioso arrepio. - Estou conseguindo? - indagou ele.
- Eu vou lhe mostrar - Aysha o provocou. - Daqui a mais ou menos uma hora.
- Uma hora? 
- A qualidade da massagem  que ditar o valor de sua recompensa - informou ela, com ar solene, fazendo-o rir. Sem esperar mais, ele a tomou nos braos e a levou para o quarto.
Ficar deitada sobre toalhas felpudas com as mos carinhosas de Carlo espalhando leo aromtico por seu corpo era como estar no paraso.
A certa altura, perguntou-se o que a levara a pensar que agentaria uma hora at se entregar a ele. Trinta minutos depois, estava tendo de lutar contra o desejo de se virar de frente para ele e implorar para que Carlo a amasse.
- Acho que j  suficiente - disse por entre os dentes. 
- Voc disse uma hora - lembrou Carlo, virando-a de frente para ele.
Embaraada, e ao mesmo tempo excitada por estar completamente nua, deitada e vulnervel diante dele, Aysha respondeu:
- Quero lhe pagar adiantado.
Carlo se inclinou e roou os lbios nos dela. 
- Estou contando com isso.
Tomada pelo desejo, Aysha ficou olhando ele se despir. Quando Carlo ficou completamente nu, e mais do que desejvel ao lado da cama, ela afastou as pernas sensualmente e estendeu os braos para ele, em um irresistvel convite.
Muito tempo depois, ele a manteve nos braos, afagando-lhe os cabelos enquanto a respirao de ambos voltava ao normal.
Na manh seguinte, Aysha mal se mexeu quando Carlo levantou s oito horas e foi para o banho, antes de se vestir e preparar o desjejum.
Porm, o aroma de caf fresco despertou os sentidos de Aysha.
- O visual preguioso est combinando com voc hoje - gracejou Carlo, colocando a bandeja com o desjejum sobre a mesinha-de-cabeceira.
Os lbios dela se curvaram em um sorriso.
- Bom dia. Puxa, caf na cama? Dessa vez, voc se superou.
Carlo beijou-a na base do pescoo e puxou o lenol um pouco para baixo, revelando um seio perfeito e mais do que pronto para receber seu beijo.
- No momento voc deve estar mais interessada na comida do que em ter um "pr-desjejum", no?
No era verdade, mas, mesmo assim, Aysha respondeu: - Preciso me alimentar para agentar o dia.
- Ah, o ch de cozinha - lembrou Carlo.
- Teresa quer que a ocasio seja memorvel. Depois de tomar o delicioso desjejum, Aysha tomou um banho e se vestiu, sentindo-se nova em folha para comear o dia.
Antes de sair, beijou o queixo de Carlo.
- Obrigada pelo desjejum. Estava maravilhoso. Carlo puxou-a para si com um gesto possessivo e roou os lbios nos dela, antes de beij-la com mais intensidade. O gesto inesperado deixou Aysha meio zonza por um instante, mas no demorou para ela se entregar ao beijo, retribuindo com o mesmo ardor.
- Considero-me recompensado - disse Carlo, ao se afastar.
Aysha olhou-o com certa surpresa. Estaria enganada ou aquele gesto fora realmente uma demonstrao de paixo? Estaria finalmente conseguindo alcanar o ntimo de Carlo? Oh, Deus, se ao menos fosse isso mesmo...
Esse pensamento acompanhou Aysha por todo o caminho at o estacionamento, e tambm ao longo dos vrios quilmetros at a casa de seus pais.








Captulo 3


Aysha, suas damas de honra foram s primeiras a chegar, seguidas por Gianna e algumas das amigas de Teresa. Duas tias, trs primas e uma srie de amigas mais prximas.
Depois de muitos risos, salgadinhos, champanhe e muitos, muitos presentes, a campainha voltou a tocar por volta das quatro horas da tarde. Teresa se levantou para atender  porta.
A rapidez com que Lianna se juntou a ela, fez Aysha olhar para todas com ar de desconfiana. Ento as mulheres comearam a rir quando um belo rapaz entrou na sala.
- Ei, vocs no... - Aysha comeou, mas bastou olhar para Lianna, Arianne, Suzanne e Tessa para saber que suas amigas haviam sido cmplices naquilo.
Um aparelho de som surgiu como que do nada e foi colocado sobre a mesa. Quando a msica comeou, o rapaz iniciou uma srie de gestos e movimentos sensuais, dando incio a um strip-tease.
- Voc se recusou a nos oferecer uma noite em uma boate s para mulheres, ento decidi trazer o show at voc - explicou Lianna, quando as mulheres j estavam indo embora.
- Traidora - brincou Aysha, com um sorriso afetuoso. - Espere at chegar sua vez.
- O que far para superar isso, Aysha? Vai contratar um grupo inteiro de strippers?

- No me d idias.
Depois que todas partiram, Aysha foi examinar os presentes. Todos de muito bom gosto, mas combinando com a personalidade de cada uma de suas amigas. Porm, o mais inusitado fora o de Lianna.
- Voc no sabia sobre o presente de Lianna? - Teresa perguntou, aproximando-se dela.
- No tinha a mnima idia sobre o que ela iria "aprontar". - Passando o brao pela cintura da me, acrescentou: - Obrigada pela organizao da festa. Estava tima. - Foi um prazer.
- Est se referindo  festa ou ao show de strip-tease? - Aysha a provocou.
- Sem comentrios. 
Aysha comeou a rir.
- Tudo bem, ento vamos mudar de assunto. O que faremos com todos esses presentes?
As duas arrumaram as caixas sobre uma mesa, em uma sala adjacente. Ao terminar, Aysha tomou um banho e vestiu uma cala social e uma blusa de seda.
J passava das seis quando ela chegou ao apartamento de Carlo. Foi direto at a cozinha, deixar sobre a mesa os recipientes com comida chinesa que havia comprado no caminho.
- Deixe-me adivinhar - disse Carlo, ao entrar na cozinha. - Comida chinesa, tailandesa ou da Malsia? 
- Chinesa. Tambm aluguei alguns vdeos.
- Ento tem planos de passar uma noite tranqila? 
Aysha pegou dois pratos e talheres no armrio.
- Acho que j tive excitao demais por um dia. "E teria pela noite", pensou ela.
- Por qu? - Carlo quis saber.
Um brilho travesso surgiu nos olhos dela.
- Lianna contratou um stripper - falou ela, no resistindo ao desejo de provoc-lo. - Ele era jovem, bonito e tinha um corpo... Pergunte  sua me. Ela estava l.
-  mesmo? Talvez seja melhor me contar mais detalhes a respeito desse sujeito.
- Bem... - Aysha hesitou deliberadamente. - Ele tinha um corpo de tirar o flego. Cabelos compridos, presos em um rabo-de-cavalo. E quando ele o soltou... Uau, foi muito sexy. O corpo no tinha sequer um pelinho. Oh, e tinha um dos traseiros mais bonitos que eu j vi. Carlo estreitou o olhar, fazendo-a rir.
- Ele foi tirando a roupa at ficar apenas com uma sunga minscula - acrescentou ela.
- E imagino que isso tenha sido um alvio para nossas mes - observou ele.
- Bem, apesar do susto inicial, elas pareceram se divertir um bocado com o show.
- Ento elas no esperavam por isso?
- Nem tinham idia do que iria acontecer. - Aysha riu, lembrando-se da expresso das duas ao ver o stripper. - Agora vamos ser realmente decadentes e assistir a um vdeo enquanto comemos.
O primeiro filme era um thriller, com cenas de suspense em nmero suficiente para deixar o espectador na ponta da poltrona. O segundo era uma comdia sobre um casamento onde tudo que podia dar errado, dava. As cenas eram divertidas, mas, em meio  frivolidade, havia uma certa dose de realismo com a qual Aysha no pde deixar de se identificar.
Entre um vdeo e outro, ela retirara os pratos da mesa e preparara caf. Depois de o tomarem, ela levara as xcaras para a pia.
Quando foi para o quarto, estava se sentindo agradavelmente cansada, mal vendo a hora de poder se deitar e desfrutar uma boa noite de sono. Aps tomar um banho relaxante, deitou-se entre os lenis e aninhou-se nos braos de Carlo, recostando a cabea junto ao ombro dele.
Dentro de minutos j estava adormecida, e nem notou o beijo que Carlo lhe deu na testa e o modo carinhoso como ele a olhou.

Eles acordaram tarde no dia seguinte. Depois do desjejum, decidiram sair para navegar no rio Hawkesbury, no iate de Giuseppe. Aysha aproveitou ao mximo cada minuto do passeio relaxante, pois sabia que no dia seguinte no seria fcil sair para as compras e iniciar a "Lista de Coisas a Fazer" que sua me havia preparado para os dias anteriores ao casamento.
- Mame, isso  mesmo necessrio?
O dia de compras rendera mais do que bons resultados at ali. Teresa, pelo visto, havia sado de casa com o desejo de gastar dinheiro. E gastar muito.
- Voc  minha nica filha - Teresa respondeu. - No me negue o direito de oferecer  minha nica filha o melhor casamento que o dinheiro possa comprar.
Aysha passou o brao pelos ombros da me, em um gesto afetuoso.
- Est bem, levarei mais este vestido - afirmou, com um sorriso.
Quando as duas chegaram em casa, depois de enfrentar o trnsito difcil at Vaucluse s cinco e meia da tarde, Aysha foi direto para o quarto, tomar um banho. Minutos depois, saiu enrolada em uma toalha felpuda e enxugou o excesso de umidade dos cabelos com outra toalha. Em seguida, secou-os com o secador e penteou-os at que ficassem charmosamente ajeitados. Aplicou uma maquiagem leve, ento abriu o guarda-roupa e observou suas roupas dispostas nos cabides. Por fim, escolheu um vestido preto.
Ele ia at o meio da coxa e a seda era coberta por uma camada de delicada renda preta. Porm, o maior charme do modelo era o ousado decote das costas, que ia at quase a cintura, e as alas finssimas de seda.
Deveria usar meias de seda pretas e calcinha preta com ligas? Ou ir com as pernas expostas e optar por apenas um minsculo biquni de renda preto? Depois de se decidir pela ltima opo, calou os sapatos pretos com salto alto e finssimo e prendeu os cabelos em um coque casual. Como ji, usaria o mnimo possvel: apenas dois delicados pingentes de ouro em forma de gota.
Meia hora depois, quando desceu a escada, encontrou seus pais na sala de estar tomando um aperitivo leve. Giuseppe veio em sua direo, fitando-a com um misto de orgulho paternal e de apreciao masculina. Teresa, contudo, estreitou o olhar discretamente e apertou os lbios. Para Teresa Benini, a aparncia era essencial e, pelo visto, dessa vez sua filha no atendera s suas exigncias.
- No acha que est um pouco... - Ela hesitou, delicadamente. - Ousado, querida?
- Talvez - anuiu Aysha. Ento lanou um olhar questionador para Giuseppe. - Papai?
Sabendo muito bem que no seria bom discordar de nenhuma delas, ele decidiu sair pela tangente:
- Tenho certeza de que Carlo vai gostar muito. Oh, e a menos que eu esteja enganado, deve ser ele chegando - acrescentou, quando ouviram o rudo de um motor do lado de fora da manso.
Pouco depois, a governanta apareceu, conduzindo-o at a sala. Aysha atravessou o aposento e segurou a mo dele, oferecendo o rosto para ele beijar.- Foi um gesto natural, um gesto esperado. Sorriu ao ouvir a palavra "arrasadora" ser sussurrada junto a seu ouvido.
Carlo pousou a mo em sua cintura e levou-a com ele quando se aproximou para cumprimentar os pais dela. - Quer um drinque, Carlo? - Teresa ofereceu.
- No, obrigado. Prefiro esperar at o jantar.
Seria fcil se apoiar naquele corpo msculo e fingir que os dois se amavam, e por um momento Aysha quase fez isso. Mas sabia que a demonstrao de carinho seria apenas de sua parte.
Giuseppe tomou o restante de seu vinho e colocou o copo na bandeja.
- Nesse caso, talvez seja melhor irmos andando. Teresa?
Naquele momento, o telefone comeou a tocar. Teresa franziu o cenho, com ar de desaprovao.
- Espero que isso no nos atrase - disse ela. - V na frente com Carlo, querida. Ns sairemos em alguns minutos.
Os dois saram em seguida e Aysha estava ajustando o cinto de segurana quando Carlo sentou-se ao volante. Ento pegaram a estrada em direo  cidade.
- Estou enganado ou esse vestido foi mesmo escolhido com a inteno de chocar?
Aysha olhou para ele. - Funcionou?
Estava consciente de quanto sua coxa estava aparecendo e lutou contra a vontade de puxar a barra do vestido para baixo.
Carlo olhou-a de soslaio e sorriu ao dizer: - Aposto que Teresa no o aprovou. Aysha tambm sorriu.
- Voc a conhece to bem. Papai, por outro lado, disse que voc ia gostar.
- Oh, gostei mesmo - ele admitiu. - E tenho certeza de que todos os homens da festa tambm vo gostar. Ela sorriu para ele.
- Voc diz coisas to lisonjeiras.
- Mas cuidado para no exagerar, cara. 
- Estou querendo brilhar hoje.
Por um instante, ela distinguiu um brilho diferente nos olhos de Carlo. Um brilho que ela no soube ao certo como definir, mas que logo desapareceu. Aysha ficou surpresa quando ele pousou a mo em seu rosto por um breve momento.
- Sero apenas algumas horas. Ento poderemos sair. 
Sim, pensou ela. E no dia seguinte comearia tudo de novo. As compras, a prova do vestido, as obrigaes sociais. A cada dia as coisas pareciam estar piorando. Atender s expectativas de sua me e ver suas prprias opinies serem descartadas s servia para aumentar a tenso. Se pelo menos Teresa no insistisse em transformar tudo em uma grande produo...
Suburban Point Piper ficava a poucos quilmetros da casa de Aysha. Passaram por um porto de ferro ornamentado e Carlo estacionou atrs de um Jaguar estilizado. Ao todo havia cinco carros estacionados ali, e Aysha experimentou um momento de hesitao antes de se dirigir  escadaria da entrada principal.
Um evento como esse exigira incontveis precedentes, pensou Aysha, enquanto aceitava uma taa de vinho e cumprimentava alguns presentes.
Linda casa, convidados ilustres, uma mesa magnfica, com um lindo arranjo de flores ao centro.
- Carlo, querido!
Aysha reconheceu aquele tom irritantemente sensual e no gostou nem um pouco da desagradvel surpresa. Com a aproximao do casamento, as admiradoras de Carlo haviam reconhecido a perda na disputa e haviam ficado em seus. devidos lugares. Todas, exceto Nina di Salvo.
A morenssima consultora de moda era uma femme fatale. Rica, viva e visivelmente ansiosa por um novo marido com o mesmo prestgio social que ela.
Nina era admirada e at mesmo adorada pelos homens. Por seu estilo, sua beleza e sua determinao. As mulheres a reconheciam como uma rival em potencial e era mantendo isso em mente que se dirigiam a ela.
- Aysha. - Nina olhou para ela. - Voc est parecendo... - A pausa foi deliberada. - Um pouco cansada. Os preparativos a esto cansando, querida?
Aysha forou um sorriso e respondeu: -  que Carlo no me deixa dormir.
Nina estreitou o olhar quase imperceptivelmente, ento se inclinou na direo de Carlo e beijou-o no rosto por um tempo alm do normal.
- Como est voc, caro?
- Nina.
Carlo era um estrategista experiente demais para demonstrar qualquer coisa. E cavalheiro demais para fazer algum comentrio depreciativo.
Cumprimentou Nina com um mnimo de contato, embora ela tenha feito o possvel para toc-lo todas as vezes em que teve uma chance.
- Pegue um drinque para mim, sim, caro? - pediu Nina, com intimidade. - Voc sabe do que eu gosto. Aquilo j-era demais, pensou Aysha, indignada, enquanto Carlo se afastava em direo ao bar. A noite poderia acabar se transformando em um pesadelo com a presena de Nina.
- Espero que no espere fidelidade, querida - Nina a avisou. - Carlo tem... certas necessidades que nem toda mulher  capaz de satisfazer.
-  mesmo, Nina? Resolverei isso com ele. - Resolver o qu e com quem?
Ao ouvir a pergunta, Aysha virou-se para Carlo, que se aproximou trazendo uma taa de champanhe. Forando um sorriso, ela respondeu:
- Nina se mostrou preocupada a respeito de eu conseguir satisfazer suas necessidades.
A expresso de Carlo no se alterou nem um pouco, o que no surpreendeu Aysha.
-  mesmo?
Era difiicil entender como duas simples palavras podiam ser ditas de modo a conter tanto significado. Ou tanta fria controlada. A tenso se tornou mais do que evidente, mesmo com Carlo no tendo movido sequer um msculo. No entanto, para qualquer pessoa que visse a cena de fora, pareceria que eles estavam tendo uma agradvel conversa.
- Talvez Nina e eu devamos comparar notas - Aysha ironizou.
Nina tomou um gole de champanhe.
- Para qu, querida? Minha anlise teria uma abrangncia bem maior do que a sua.
Aysha olhou para a entrada do salo e notou que seus pais haviam acabado de chegar. No soube dizer se sentiu alvio ou preocupao. Logo sua me veria Nina e, conhecendo a rival da filha, iria se aproximar para tomar satisfaes, ainda que educadamente.
Aysha comeou a contagem regressiva. Um minuto para cumprimentar os anfitries, mais um para saudar alguns amigos...
- Oh, a est voc, querida. Aysha sorriu para a me.
- Ol, mame. Vejo que no demoraram muito afinal. - Indicou a morena. - Lembra-se de Nina?
O olhar de Teresa se tornou srio, mesmo com seus lbios curvados em um sorriso polido.
- Claro. Que bom rev-Ia.
Mentira. Pura mentira. Aysha teve de conter o riso. As boas maneiras escondiam muitos pecados. Se ela prpria pudesse deixar as boas maneiras de lado naquele momento, mandaria Nina exatamente para onde achava que deveria mand-la.
- Vamos para a sala de jantar? - sugeriu, imaginando tratar-se de uma boa sada.
A menos que os anfitries houvessem colocado ela e Carlo prximos  Nina.
A sala de jantar era bem ampla e o centro das atenes era a mesa impecavelmente arrumada abaixo do suntuoso lustre de cristal. A cena lembrava uma foto tirada para uma revista de decorao importada. De fato, mais parecia um sacrilgio que todos aqueles convidados fossem desarrumar algo to bem-arrumado nos mnimos detalhes.
Aysha notou a presena de um garom e de uma garonete a um canto do recinto. Provavelmente eles serviriam no apenas a comida, mas tambm dosariam a quantidade de vinho dis-tribuda aos convidados, para evitar os excessos.
Nada mais sensato, pensou Aysha, enquanto se aproximavam da mesa de antepastos.
- Poderia pedir ao garom para me servir uma taa de vinho, querido? - Aysha pediu a Carlo, com seu melhor sorriso, ao notar que Nina os estava observando.
Ela raramente tomava qualquer bebida alcolica, e Carlo sabia disso. Ele arqueou uma sobrancelha, surpreso, e Aysha sorriu mais uma vez.
- Por favor.
Se ele hesitasse, ou se tentasse censur-la justo naquele momento, ela o mataria. Felizmente, bastou um olhar dele para o garom servir a bebida. Quando Aysha provou o maravilhoso Chablis, notou o olhar de seu pai, que sorriu e levantou a prpria taa em um brinde silencioso.
Algumas taas de vinho, boa comida e companhia agradvel. No era preciso muita coisa para agradar seu pai. Giuseppe Benini era, um homem de preferncias simples. Havia trabalhado duro a vida inteira e alcanado bem mais que a maioria dos homens. Era dono de uma magnfica manso e escolhera uma boa companheira que lhe dera uma filha maravilhosa. Logo ele a veria casada com o filho de seu scio e melhor amigo. Sua vida estava perfeita.
Seu pai era muito mais do que um pai poderia ser, concluiu Aysha, j mais relaxada sob o efeito do vinho. Um homem que havia conseguido unir o melhor da "velha ptria" com o melhor da ptria que ele adotara. O resultado fora o inevitvel sucesso.
Aps se -servirem do antepasto, todos se acomodaram  mesa. Minutos depois, foi servido o primeiro prato: peito de galinha desfiado e divinamente temperado, regado com um molho  base de vegetais.
Devagar, bem devagar, Aysha deslizou a mo discretamente pela coxa de Carlo. Manteve seu gesto o mais discreto possvel, para que ningum percebesse e para que aquilo se tornasse uma espcie de jogo sensual apenas entre eles. No resistiu  vontade de provoc-lo. Talvez o vinho estivesse deixando-a mais leve do que ela imaginara. Bem, talvez mais "ousada" fosse o termo mais apropriado. E mais excitante.
Olhou diretamente para Carlo, mantendo a mo no mesmo lugar e desejando poder ir mais alm. Era excitante poder provoc-lo daquela maneira em pblico. Ainda mais tendo Nina por perto.
Com sensualidade, deslizou a ponta da unha sobre a perna dele, notando o esforo que ele estava fazendo para disfarar a excitao. Mas somente ela tinha noo disso, pois, como sempre, a expresso de Carlo continuou impassvel.
De sbito, ele segurou a mo dela e levou-a aos lbios, beijando-lhe o dorso. Foi como um aviso de que ela estava brincando com fogo.
Porm, qual no foi o espanto de Aysha quando, de repente, sentiu a mo dele em sua coxa.



Captulo 4



Aysha tomou um gole de gua gelada, lanando um rpido olhar para os outros convidados sentados  mesa. Seu olhar se demorou um pouco mais no rosto de Nina, que, pela expresso de fria velada, notara exatamente o que estava acontecendo.
Aysha se perguntou se a morena e Carlo no teriam mesmo tido algum tipo de envolvimento. Queria ter o amor de Carlo. Desesperadamente. Mas se contentaria com sua fidelidade. S de pensar em v-lo nos braos de outra mulher j sentia um aperto no peito.
- O que voc acha, Aysha?
Oh, droga! No era recomendvel permitir que a distrao por causa de assuntos pessoais interferisse em sua interao social. Especialmente por ser a convidada de honra
Olhou para Carlo com um velado ar de splica e distinguiu um brilho de divertimento nos olhos dele.
- Lusa no concorda que eu mantenha o destino de nossa lua-de-mel como uma surpresa para voc - disse ele. 
Aysha precisou apenas de um instante para entender o que fora dito e mostrar seu melhor sorriso.
- Preciso levar roupas quentes na bagagem - declarou, sorrindo para Lusa, a senhora que lhe fizera a pergunta. - Mas isso  tudo que sei.
- Europa - disse a mulher com uma piscadela. - Ou talvez Amrica do Norte. Canad?
- Realmente no tenho a menor idia - respondeu Aysha.
Como sobremesa foram servidas pores individuais de tortilha caramelizada, acompanhadas por frutas frescas picadas e servidas com creme licoroso.
- Delicioso - murmurou Aysha, ao provar a primeira poro.
--Eu no deveria, mas vou provar - falou Lusa. - Amanh, compensarei a extravagncia comendo apenas frutas e dobrando o tempo de ginstica.
Aysha notou que Teresa removeu cuidadosamente o creme para o lado e comeu apenas alguns pedaos de frutas, dispensando a tortilha. Como me da noiva, claro  que ela no admitiria aumentar nada em sua silhueta esbelta at o casamento.
Quase meia hora depois, os anfitries convidaram todos para ir tomar caf na sala. Os homens se uniram em rodinhas para conversar sobre negcios e poltica,' enquanto as mulheres permaneceram sentadas, tratando sobre amenidades. Aysha adorava ouvir aquele tom musical do italiano, falado pela maioria deles. O modo como eles se comunicavam era muito expressivo, sempre gesticulando e dando nfase quilo que estavam falando.
- Giuseppe est se sentindo nas nuvens.
Aysha se preparou para encarar Nina, que acabara; de se aproximar e fazer o comentrio. Bastou um olhar para saber que a atitude da morena era exatamente o oposto de uma aproximao amigvel.
- E haveria algum motivo para ele no estar se sentindo assim?
- O casamento ser um negcio e tanto. - Nina sorriu, mas seu olhar mostrou um brilho de provocao. - Meus parabns, querida. Eu deveria ter imaginado que voc conseguiria.
Aysha inclinou a cabea levemente para o lado.
- Ora, obrigada, Nina. Considerarei isso como um elogio.
No havia ningum suficientemente prximo para ouvir a conversa entre as duas. O que no deixava de ser lamentvel, pois s serviu para dar motivo para Nina jogar outro de seus dardos venenosos..
- Como  ser a segunda mulher na vida de um homem? Ainda mais quando sua parte na herana da empresa  o nico motivo para o casamento?
- Levando em conta que Carlo tambm receber sua parte na herana da empresa, acho que deveria fazer a mesma pergunta a ele.
Nina estreitou o olhar, parecendo no gostar do desafio. O sorriso que ela mostrou em seguida foi totalmente artificial. - No sei se  preciso, querida. Afinal, ser voc quem ter de lidar com o fantasma de Bianca - falou ela. - Mas como dizem: "No escuro, todos os gatos so pardos", no ? Deus, aquilo estava ficando baixo.
-  mesmo? - Aysha arqueou as sobrancelhas, fingindo um ar de surpresa. - Talvez devesse tentar com as luzes acesas qualquer dia, minha cara. Voc no tem idia de como  bom.
Mais um ponto, pensou Aysha. Porm, sabia que sua vitria duraria pouco, pois Nina no era do tipo que se conformava em perder uma discusso daquele tipo. Por isso, foi com alvio que viu Lusa se aproximar delas.
- Aysha - a senhora a chamou. - Teresa acabou de me contar sobre as flores da igreja. Orqudeas, foi uma tima escolha, e a combinao de cores ficar magnfica.
Aysha era a convidada de honra da festa e claro que  centro das conversas estava sendo seu casamento. Principalmente da conversa entre as mulheres. Mas, para Aysha, falar sobre aquilo s reforava o detalhe de quanto ainda precisava ser feito at a realizao do casamento, e de quanto tudo aquilo ainda seria desgastante.
Olhou para o outro lado da sala e avistou Carlo, em meio a uma roda de conhecidos. Deus, como ele era lindo. A roupa com caimento perfeito o deixava mais elegante do que nunca, mas, para ela, o mais excitante era. saber como era aquele corpo msculo sem roupa.
Naquele exato momento, daria qualquer coisa para ir at ele e sentir aquela mo confortadora em sua cintura. Ento poderia se recostar nele e desfrutar a expectativa do que aconteceria quando eles estivessem sozinhos.
Sabia que Carlo se orgulhava dela e de sua beleza. s vezes, ele a deixava completamente desconcertada, ao agir como se conseguisse ler seus pensamentos. No entanto, no havia entre eles aquela empatia especial existente entre duas pessoas que se amavam. Por mais que ela desejasse que existisse.
Teria Carlo noo de que Aysha podia reconhecer exatamente o momento em que ele entrava em um ambiente onde ela estivesse? No era preciso v-lo ou ouvi-lo para saber que ele estava presente. Uma espcie de sexto sentido sempre a alertava quanto  proximidade dele, e seu corpo reagia como se ele a houvesse tocado de alguma maneira.
J passava das onze horas quando o primeiro casal de convidados partiu. E era quase meia-noite quando Teresa e Giuseppe demonstraram inteno de partir.
Aysha agradeceu aos anfitries, sorriu at seu rosto comear a doer e sentiu um arrepio quando Carlo segurou sua mo e os dois seguiram seus pais em direo aos carros. - Boa noite, querida. - Teresa beijou-a no rosto.
Aysha ficou de lado enquanto Carlo abria a porta do carro para ela. Antes de entrar, soprou um beijo para o pai e lhe desejou boa noite. Ento ajeitou o cinto de segurana e recostou a cabea no encosto, enquanto Carlo ligava o motor.
- Est cansada?
Ele a olhou de soslaio, colocando o carro em movimento. - Um pouco.
Aysha fechou os olhos, deixando o movimento do veculo embal-la e faz-la relaxar.
- Quer que eu a leve para casa?
Um breve suspiro escapou dos lbios dela.
- Ei, essa  uma questo e tanto. A que casa est se referindo? A sua, a minha ou a nossa?
- A escolha  sua.
Aysha pensou em optar pela manso onde eles iriam morar depois do casamento, j que esta estava praticamente pronta. Porm, lembrou-se de que sua me poderia aparecer por l pela manh, para providenciar mais detalhes.
Alm disso, a expectativa de dormir na cama de Carlo, onde j estava to acostumada a pernoitar, era bem mais confortadora.
- Vamos para seu apartamento.
Ele no fez nenhum comentrio, levando Aysha a imaginar se teria feito alguma diferena se ela houvesse dito "para nossa casa".
Sentiu um vazio no peito, que foi se transformando em um aperto, quando Carlo entrou no prdio de apartamentos e estacionou o carro na vaga reservada.
Subiram para o apartamento em silncio e, ao passarem pela porta, Aysha se entregou mais uma vez aos braos de seu futuro marido.
Aysha saiu logo cedo, na manh seguinte, e os dois s voltaram a se encontrar  noite, para mais um evento social. Haviam sido convidados para comparecer a uma pr-estria de cinema, de um diretor amigo.
- Bella - Carlo a cumprimentou quando ela chegou, por volta das sete e meia da noite.
Aysha tambm poderia ter dito "bello" a respeito dele, pois Carlo estava simplesmente arrasador, vestido com um smoking impecvel. Ao lado dele, com seu longo vestido cor de marfim e bordado com prolas, sentia-se quase a mulher mais sortuda do mundo. Quase.
- Quer tomar um drinque antes de sair?
- No, obrigada. lcool em um estmago praticamente vazio no  uma boa idia.
- Como foi o almoo com suas amigas?
Um sorriso se insinuou nos lbios de Aysha, quando ela se lembrou de quanto rira e se divertira na companhia de Lianna, Arianne, Suzanne e Tessa naquela tarde.
- Foi timo - respondeu. - Realmente timo. Carlo segurou a mo dela e levou-a aos lbios. - Lianna "aprontou" mais alguma?
- No dessa vez. - Aysha sorriu. - Foi timo apenas conversar e poder relaxar um pouco. Ainda assim, Lianna se mostrou ansiosa pelo momento de beijar o noivo.
Carlo apenas sorriu e puxou a manga do smoking, para olhar as horas.
- Acho melhor irmos andando. O trnsito vai estar difcil nesse horrio.
Quando chegaram  pr-estria de gala, quase uma hora depois, encontraram o local j bem movimentado pela presena de convidados ilustres.
Ao entrarem no hall da sala de cinema, iluminado por lustres de cristal, foram cumprimentar alguns conhecidos. Aysha havia acabado de aceitar um drinque leve, feito com suco de laranja e champanhe, quando ouviu uma voz familiar cumpriment-la com ironia.
- Ol, Nina - disse, virando-se para sua rival.
A morena olhou-a de alto a baixo, ento voltou a encar-la com seu ar provocante.
- Aysha que... linda voc est. Embora marfim no combine muito com cabelos loiros, voc fez uma boa escolha. - Dizendo isso, voltou-se para Carlo e ofereceu a ele seu mais deslumbrante sorriso. - Caro, preciso realmente de um drinque. Poderia ir buscar um para mim, por favor?
"Que timo", pensou Aysha. Bastaria Carlo se afastar alguns passos e a tortura recomearia.
- Duvido que conseguir satisfaz-lo por muito tempo. Bingo! Aysha fitou-a bem nos olhos e at conseguiu sorrir. - No tenha dvida de que farei o possvel.
- Bem, ter uma aliana de casamento no dedo deve ter l suas vantagens - admitiu Nina.
- Como a de no apenas dormir com ele? Os olhos de Nina brilharam.
- Eu preferiria ser amante a esposa dele, minha cara. Dessa forma, eu ficaria com o prazer, enquanto a esposa dele tivesse todo o restante do trabalho.
Aysha teve de se conter para no jogar o contedo de seu copo no rosto da morena.
- Champanhe - anunciou Carlo, aproximando-se e entregando uma taa a Nina.
O discreto toque de uma campainha anunciou que o filme comearia a ser exibido dali a alguns minutos. Aysha deu graas por poder se livrar da presena incmoda de Nina, mas qual no foi seu espanto, e evidente desgosto, ao ver que a morena havia reservado o lugar bem ao lado de Carlo. Aquilo j era demais!
Depois que todos se acomodaram, as luzes diminuram. Aysha se tornou tensa ao sentir a mo de Carlo pousar sobre a sua. Pior ainda foi sentir o polegar dele comear a roar seu pulso de um lado para outro. Ento ele estava sentindo sua tenso. timo. E a sentiria muito mais at o fim da noite!
As luzes finalmente se apagaram e as imagens surgiram na tela de cinema. O filme era noir, com nuanas subjetivas, e no havia sequer um toque de humor. Aysha o considerou depressivo, apesar do bom roteiro e da tima direo e atuao do elenco.
A cena final mostrou uma dose extra de violncia, e quando os crditos comearam a aparecer, ela viu Nina retirar a mo do brao de Carlo. Laou um olhar fuzilante para a morena, cuja expresso transmitia pura satisfao. Aysha sentiu vontade de gritar.
Sem hesitar, ficou de p e se encaminhou para o corredor, onde acompanhou as pessoas em direo  sada, sem se importar em esperar Carlo. Sabia que Nina devia estar adorando tudo aquilo, mas pouco se importou com isso. Sua pacincia tinha um limite.
Quando chegaram ao salo onde seria oferecido o coquetel, ela parou um instante e forou um sorriso para alguns conhecidos. No demorou para Nina e Carlo aparecerem.
- Por que no vamos a um clube noturno? - Nina sugeriu. - Ainda no est tarde.
"Para v-Ia tentar danar com Carlo e seduzi-lo?", pensou Aysha, com indignao. "No se eu tiver como evitar isso!" - No se prenda por ns - respondeu Carlo, recusando sutilmente o convite e passando o brao pela cintura de Aysha.
Tensa, ela estava definitivamente tensa. Carlo sentiu vontade de beij-la e confort-la, dizendo que no havia nada com que se preocupar.
Um leve sorriso curvou os lbios dele. Ao v-lo, Nina no entendeu direito o motivo.
- Conheo um lugar timo; com msicas incrveis. - Passando o brao pelo de Carlo, ela acrescentou: - Vocs vo adorar!
- No; obrigado - respondeu Carlo, afastando o brao dela delicadamente. - Ns no poderemos ir.
Nina sabia reconhecer quando era derrotada. Por isso, limitou-se a dar de ombros com elegncia.
- Se no podem mesmo ir... - Ela olhou para Carlo. - Quem sabe de uma outra vez.
Aysha respirou fundo e soltou o ar lentamente, quando Nina se retirou. Quanta ousadia!
- Carlo, come stai?
Um conhecimento do mundo dos negcios se aproximou para cumprimentar Carlo e Aysha deu graas por isso. Pelo menos ela e Carlo no precisariam tocar naquele assunto por enquanto. O homem pareceu surpreso quando ela perguntou sobre a esposa dele, os filhos, sobre como eles estavam indo na escola e perguntou quais as novidades na vida da famlia.
- Voc o deixou espantado. - Carlo riu quando o homem se retirou.
Aysha tambm riu.
- A chegada dele aconteceu no momento certo - afirmou ela. - Sim, porque eu estava prestes a bater em voc. - Em pblico?
Ela suspirou e olhou-o em silncio durante vrios segundos.
- Isso no  hora para frivolidades. - Nina a deixou aborrecida?
Aysha se forou a continuar fitando-o nos olhos.
- Ela nunca perde uma oportunidade de ir onde ns estamos.
Ele estreitou o olhar.
- Acha que no percebi isso?
- Vocs foram amantes? -Aysha perguntou diretamente. - No.
- Tem certeza disso? - As palavras saram antes que ela pudesse se dar conta do que dissera.
Carlo permaneceu em silncio durante algum tempo. - Nunca faltei com o discernimento a respeito das poucas mulheres que dividiram minha cama. E acredite-me, Nina no foi uma delas. Vamos embora?
Ele ficara aborrecido. Bem, mas ela tambm, e por motivos bem mais consistentes que os dele.
- Sim, vamos - anuiu.
O trajeto at o carro s foi interrompido uma vez, quando tiveram de parar para cumprimentar alguns amigos. - Est muito silenciosa - afirmou ele, quando chegaram  estrada.
- Digamos que estou seguindo aquele ditado que diz: "Se voc no tem nada de bom para dizer, ento  melhor ficar de boca fechada".
- Entendo.
"No, no entende", concluiu Aysha. Carlo no tinha idia de como, para ela, era terrvel no conseguir manter o interesse dele. Tinha receio de que algum dia ele se interessasse por outra pessoa e a deixasse de lado.
O trajeto at Rose Bay foi percorrido em um tempo relativamente curto. Assim que Carlo estacionou o carro em sua vaga na garagem, ela saiu e se dirigiu a seu prprio carro. - O que est fazendo? - Carlo perguntou.
- Pensei que estivesse evidente. Estou indo para casa. - Mas suas chaves esto no meu apartamento. Droga, estavam mesmo.
- Ento, vou subir para peg-las.
Dizendo isso, ela foi at o elevador e apertou o boto de chamada, mal contendo a impacincia enquanto o esperava. - No acha que est exagerando?
Aysha reconheceu algo diferente no tom de voz de Carlo, e uma espcie de sexto sentido a deixou em alerta. - No, no acho.
As portas do elevador finalmente se abriram. Aysha entrou sem hesitar e apertou o boto do andar. Ambos permaneceram em silncio enquanto subiam at o apartamento.
Assim que Carlo abriu a porta, ela passou por ele e foi pegar as chaves.
- Seus pais no esto esperando que voc volte. - Vou telefonar para eles.
Carlo respirou fundo. - Fique.
Aysha olhou para ele. - Prefiro ir para casa.
s palavras maldosas de Nina a haviam afetado mais do que ela gostaria de admitir.
- Vou lev-la at l - declarou ele, em um tom de quem no admitiria uma recusa.
- No vai, no.
A expresso de Carlo se tornou implacvel e seu maxilar enrijeceu.
- Tente sair desse apartamento e ver at onde vai conseguir chegar - desafiou ele.

Ao ouvir isso, Aysha o fitou diretamente nos olhos. - Fora bruta, Carlo? No acha isso um pouco drstico? - No quando seu bem-estar e sua segurana esto em jogo.
Ela levantou o queixo, com ar de desafio.
- Acha mesmo que isso faz muita diferena? - Levantou a mo quando ele fez meno de falar. - No. Vamos pelo menos permitir que haja honestidade entre ns.
- Nunca fui desonesto com voc.
Aysha sentiu um vazio por dentro. At ento, achava que ter apenas a afeio de Carlo seria suficiente, mas estava comeando a perceber que seria muito difcil se contentar apenas com isso.
Sem dizer mais nada, dirigiu-se ao elevador. Os vinte segundos seguintes de espera pareceram os mais longos de sua vida. Suspirou quando as portas finalmente se abriram.
Havia acabado de entrar no elevador e estava prestes a apertar o boto do subsolo, quando se sobressaltou ao ver Carlo tambm entrar nele.
- Saia, por favor - pediu a ele.
- Posso lev-la ou segui-Ia no meu carro. Voc escolhe - foi a resposta dele.
As portas do elevador se fecharam e eles comearam a descer para o subsolo.
- V para o inferno.
Um sorriso se insinuou nos lbios dele. - Essa no foi uma das opes.
- Infelizmente.
- Pelo visto, no quer que eu a leve.
As portas se abriram e Aysha saiu sem dizer nada. Seu carro se encontrava estacionado prximo ao dele e ela caminhou em direo a ele, ouvindo o eco de seus saltos batendo contra o piso.
Carlo abriu a porta do passageiro do seu Mercedes. - Entre.
Aysha rio estava nem um pouco disposta a obedec-lo.
- Vou precisar do meu carro pela manh. A expresso de Carlo continuou impassvel. - Eu irei busca-la.
- No queira mandar em mim, droga! - bradou ela. Fora uma longa noite, cheia de momentos de fria contida, de desiluses e de tentativas de racionalizao. E nada ajudara a aplacar o vazio que Aysha passara a sentir a partir do momento em que cogitara a possibilidade de traio por parte de Carlo.
- Entre no carro, cara.
Daquela vez, o tom gentil quase a fez desistir de argumentar. De sbito, viu-se lutando contra a vontade de chorar. Droga, queria manter a fria, e no chorar na frente dele.
Queria se aninhar nos braos de Carlo e ser consolada por ele, mas tambm queria manter a fria e esbravejar toda sua indignao. Seria aquilo alguma espcie de sndrome pr-nupcial? O fato de seu casamento no ser uma unio convencional descartou essa possibilidade.
Com um breve gesto de aquiescncia, ela sentou-e no banco do passageiro e ajustou o cinto, enquanto Carlo dava a volta pelo carro. Segundos depois, estavam a caminho da casa dela.
- Ligue para seus pais.
Aysha pegou o telefone celular na bolsa e digitou os nmeros. Giuseppe atendeu ao terceiro toque.
- Aysha? Aconteceu alguma coisa?
- No, pap. Chegarei em casa em quinze minutos. Poderia acionar a segurana?
Aysha deu graas por no haver sido Teresa quem atendera. Com certeza sua me faria perguntas que ela no estava com a mnima vontade de responder.
Fechou os olhos ao imaginar a me j vestindo o robe e indo espera-la na sala, para saber o que acontecera. Oh, Deus, no sabia se conseguiria agentar trs confrontos em uma mesma noite.

De fato, assim que Carlo a deixou  porta de casa e ela entrou, deparou-se com Teresa  sua espera. Aysha explicou que no havia acontecido nada, mas sua me no pareceu muito convencida disso.
- Tem certeza de que no aconteceu nada? - Tenho, mamma.
- No discutiu com Carlo, discutiu?
Aysha respirou fundo, tentando manter uma atitude neutra.
- Por que eu faria isso?
- Vou preparar um ch para ns - anunciou Teresa, sem responder  pergunta.
- No, obrigada.
Aysha no via a hora de poder ficar sozinha em seu quarto. - Vai subir agora?
- Sim. Boa noite.
- Gianna e eu a encontraremos amanh no almoo - lembrou Teresa, citando o nome do restaurante. - Vou reservar a mesa para uma hora.
Aysha beijou o rosto da me. - Est bem.
Sem dizer mais nada, ela comeou a subir a escada. Ao chegar no quarto, despiu-se devagar, tirou a maquiagem e tomou um banho quente, antes de se deitar. Se pelo menos o sono tivesse o poder de faz-la esquecer...



Captulo 5



- Estarei a em meia hora - anunciou Carlo quando Aysha atendeu ao telefone, na manh seguinte. - E no discuta - acrescentou, antes que ela tivesse a chance de protestar.
Ciente de que Teresa estava ouvindo suas palavras enquanto tomavam o desjejum, Aysha no teve alternativa a no ser dar uma resposta afirmativa.
- Obrigada - respondeu, forando um sorriso. - Vou estar esperando. - Desligou em seguida e tomou o res-. tante do caf. - Era Carlo. Vou terminar de me arrumar.
- Voc vai voltar para c ou ir direto para a cidade? - Irei para a cidade. Ainda preciso escolher a loua e os talheres para a nova casa.
Ao chegar no quarto, Aysha vestiu uma cala de tecido leve, um top e uma blusa aberta por cima. Calou sapatos confortveis, aplicou batom e rmel e saiu. Estava descendo a escada, ajeitando a ala da bolsa no ombro, quando ouviu o Mercedes de Carlo parar do lado de fora da casa.
Respirou fundo, tentando se acalmar, e foi ao encontro dele.
- No precisava ter vindo me apanhar - disse, depois de se acomodar no banco do passageiro.
- Claro que precisava - respondeu ele, pondo o carro em movimento.
- No quero discutir com voc, Carlo.

- Ento no discuta.
Aysha sorriu com amargura.
- De repente, isso no ficou to fcil assim.
- Nina  uma mulher que adora criar intrigas - afirmou ele.
- Ela o quer, Carlo.
- J sou comprometido, lembra-se?
- No sei se isso faz muita diferena. Nina  do tipo que acredita que tudo  permitido no amor e na guerra. - E isso est se tornando uma guerra?
- Pode ter certeza que sim - respondeu ela. - E voc  o prmio, meu caro.
- Ento sou seu prmio, porque voc j venceu essa guerra.
- No tem idia de quanto  consolador ouvi-lo dizer isso.
- Cinismo no combina com voc, Aysha. - Podemos mudar de assunto, por favor?
Carlo circulou por algumas ruas, ento pegou a avenida para Rose Bay.
- Reservei uma mesa para o jantar dessa noite. Irei apanh-la s seis.
Aysha apenas assentiu. Minutos depois, Carlo deixou-a ao lado do Porsche e partiu assim que ela sentou-se ao volante.
O trnsito estava terrvel quela hora da manh e j passava das nove horas quando Aysha conseguiu chegar a seu destino. Sua primeira parada foi em uma loja de departamentos. Havia estacionado o carro e estava a caminho de l quando seu telefone celular comeou a tocar. Era Teresa.
- Aysha? Acabei de receber um telefonema da butique de noivas. Sua tiara chegou de Paris, mas veio errada! Aysha fechou os olhos por um instante. Demorara um dia inteiro para ela conseguir a liberao da entrega da tiara, um ms antes. E ainda haviam mandado a tiara errada. Que timo.
- Tudo bem, mamma. No vamos entrar em pnico. - Aquela era perfeita. Simplesmente perfeita - lamentou Teresa.
- Vou dar um jeito, pode deixar.
Um telefonema da butique para o fabricante, em Paris, e um servio rpido de entrega resolveriam o problema. Porm, no ntimo Aysha sabia que no seria to fcil assim.
- Eu j fiz isso - respondeu a dona da butique, - Mas, infelizmente, eles no tm nenhuma no estoque. O design  muito complicado e as prolas so trazidas eu sei l de onde. Em resumo, precisaremos escolher alguma outra coisa. - Tudo bem, ento vamos fazer isso.
Durante a hora seguinte, Aysha foi  butique, escolheu outra tiara pelo catlogo e o pedido foi feito, depois de o fabricante confirmar que eles tinham o novo modelo em estoque.
- Esta ser definitiva - prometeu a dona da butique. Mas por que ouvir aquilo no deixou Aysha mais tranqila? Talvez porque fora o mesmo que lhe fora dito antes. Em seguida, voltou para a loja de departamentos, escolheu a loua e os talheres, pedindo para que a entrega fosse feita na nova casa. J passava do meio-dia quando se lembrou que faltava comprar o sapato. Deus, daria tempo de resolver isso, se o almoo com sua me e Gianna estava marcado para uma hora? Tinha de dar.
Com isso em mente, entrou no prdio do Queen Victoria e subiu para o departamento de calados, no primeiro andar. Estava caminhando pelo corredor de lojas, depois de comprar um lindo par de sapatos de cetim, quando o bracelete de uma joalheria lhe chamou a ateno. Sem resistir  tentao, parou para admir-lo.
- Tenho certeza de que bastar apenas voc ronronar do jeito certo no ouvido de Carlo para ele lhe comprar isso. Aysha reconheceu a voz antes mesmo de se virar. - Nina - disse, sem fazer a mnima questo de parecer simptica.

- Eu ia lhe telefonar e convid-la para tomar um caf comigo. Est com tempo agora?
A ltima coisa que Aysha queria naquele momento era conversar com Nina.
- Obrigada pelo convite, mas estou realmente sem tempo. Vou me encontrar com Teresa e com Gianna agora no almoo.
- Nesse caso...
Nina abriu a bolsa e retirou dela um envelope pardo. Ento colocou-o na sacola que Aysha trazia na mo.
- Espero que se divirta com isso. Tenho certeza de que voc vai achar o contedo desse envelope esclarecedor. - Com um sorriso maldoso, acrescentou: - Ciao. At amanh  noite, na exposio.
Devido ao crculo social que elas freqentavam, os constantes encontros pareciam inevitveis. Aysha pensou em deixar de ir  exposio, mas logo descartou a idia. Bruno no perdoaria sua ausncia.
Ao ver a hora em um dos relgios expostos na vitrine, despediu-se de Nina e se apressou em direo  sada. Teresa e sua futura sogra j estavam  mesa quando ela entrou no restaurante. Aps cumpriment-las com um beijo no rosto, afundou em uma cadeira.
- Vamos fazer os pedidos?
- Conseguiu acertar tudo com a butique? - Teresa quis saber, antes de qualquer outra coisa.
Aysha achou mais fcil assentir do que explicar todos os detalhes  sua me. Depois contaria a ela sobre a mudana da tiara.
- Bene. - Depois que o garom anotou os pedidos, Teresa se dirigiu novamente a ela: - Conseguiu comprar tudo que precisava?
- Sim, mas faltou escolher algumas peas de lingerie. Pretendo ver isso depois que almoarmos. H algumas lojas timas aqui, em Double Bay.
J eram auase duas horas quando as trs saram do restaurante. Aysha se despediu das duas e partiu para o restante das compras. No via a hora de tudo aquilo terminar e de sua vida poder voltar a um ritmo normal. Ento ela seria Aysha Santangelo, dona de sua prpria casa e com um marido para cuidar.
S de pensar nisso, sentiu um calor agradvel invadir seu corpo e imagens erticas surgirem em sua mente. Ao longo das duas horas seguintes, a quantidade de sacolas deixadas no Porsche foi aumentando. Em uma das vezes em que Aysha foi ao carro, guardar uma delas, o envelope que Nina lhe entregara lhe chamou a ateno. Curiosa, abriu-o e retirou o contedo dele.
No se tratava de papis, como ela pensara, mas de fotos. Vrias fotos. A primeira delas mostrava um homem e uma mulher entrando em um hotel. O homem era Carlo! E a mulher era a prpria Nina!
Sentiu um aperto no estmago e olhou a seguinte, que mostrava o nome do Hotel Melbourne, onde Carlo havia se hospedado trs semanas antes, quando viajara a, negcios. A foto seguinte mostrava os dois entrando em um elevador.
Aysha continuou a olhar as fotos, sem notar que suas mos haviam ficado trmulas. Nina e Carlo diante de uma porta numerada. Trocando um abrao. Um beijo. Aquilo era mais do que evidente. Nina e Carlo estavam tendo um caso.
Aysha sentiu as pernas vacilarem. Como ele tivera coragem de abusar de sua confiana? Se Carlo pensava que ela aceitaria aquele tipo de situao, estava muitssimo enganado!
Furiosa, enfiou as fotos no envelope e jogou-o dentro da sacola. Ento sentou-se ao volante do carro. Iria ao escritrio dele, tirar aquilo tudo a limpo.
Porm, o engarrafamento por causa de um acidente ocorrido a certa altura do trajeto fez com que ela acabasse desistindo de ir procurar Carlo no escritrio.
Chegou em casa depois das cinco horas e mal havia passado pela porta quando a me a chamou at a cozinha.
- Irei em um minuto - respondeu. - Primeiro vou levar as compras para meu quarto.
Assim teria um momento para se preparar para enfrentar o mundo depois do que acabara de descobrir. Deixou as sacolas no quarto e o envelope com as fotos embaixo de seu travesseiro.
Depois de lavar o rosto e se refrescar, desceu para o andar de baixo. Um aroma de temperos recendia pela cozinha. Teresa havia decidido cozinhar e estava preparando um refogado. Depois de mexer a panela, olhou para a filha.
- No me contou direito o que aconteceu na butique. Aysha sabia que no ficaria livre por muito tempo. Ento explicou os detalhes do que havia acontecido, j antecipando a reao da me. E no se decepcionou. .
- Por que no fomos avisadas antes do problema? Por que a fizeram mudar o pedido? Nunca mais entrarei naquela butique!
- No ser preciso - disse Aysha. - Pode ter certeza de que no pretendo passar por tudo isso novamente. - Passamos horas escolhendo aquilo e agora teremos de nos contentar com um pedido de segunda mo!
- Me. - Me era grave. Quando Aysha chamava Teresa de "me" era porque estava prestes a explodir. - Calma, sim? Estou to desapontada quanto voc, mas termos de ser prticas. Fiquei satisfeita com o outro modelo e eles prometeram que ele ser entregue a tempo. - Vou me certificar disso pela manh.
- No precisa fazer isso.
- Claro que preciso, Aysha. J tivemos aborrecimentos demais com essa gente.
Aysha sentiu que explodiria se continuasse a falar sobre aquilo.
- No tenho mais tempo para discutir isso agora. Preciso me arrumar e me encontrar com Carlo em menos de uma hora.
Contou at dez enquanto se dirigia ao quarto. Diferenas de opinio era uma coisa. mas fazer uma guerra por tudo era bem diferente. E muito desgastante. Depois de tomar um banho e de secar os cabelos com o secador. moldando-os em mechas sedosas. colocou o longo vestido preto de chiffon. Aplicou uma maquiagem mais carregada para a noite. afinal. guerreiros se pintavam para ir  batalha. no? E ela jurava que haveria uma guerra antes do final da noite.
Olhou-se ao espelho. Sua imagem transmitia elegncia em todos os sentidos. Sim. estava pronta para lutar. Quando desceu. Teresa estava pondo a mesa para o jantar. - J estou saindo. mamma.
- Divirta-se. - Obrigada.
Quinze minutos depois. ela estacionou o Porsche na garagem, ao lado do Mercedes de Carlo. Pegou o envelope com as fotos e saiu com passos firmes em direo ao elevador.
Carlo abriu a porta segundos depois de ela haver tocado a campainha. e Aysha viu um brilho de apreciao masculina nos olhos dele. Como sempre. ele tambm estava impecavelmente elegante. trajando um smoking preto. De fato. seria ingenuidade demais esperar que um noivo to perfeito quanto aquele tambm fosse fiel.
- O que aconteceu? - perguntou ele. franzindo o cenho. - O que o faz pensar que tenha acontecido alguma coisa? - Aysha, ns nunca fomos de ficar com joguinhos de adivinhao, e no  agora que vamos comear com isso. Jogos. Subterfgios. Decepes. Era tudo a mesma coisa. - E mesmo?
- Fale logo. Aysha. Estou ouvindo.
Ela passou os dedos pela borda do envelope. ento o entregou a ele.
- Est errado. Sou eu quem ficar ouvindo e voc quem ter de se explicar.
Carlo pegou o envelope. franzindo o cenho mais uma vez. - 0 que diabos  isto?
- Abra e veja voc mesmo - respondeu ela.
Aysha ficou olhando-o tirar as fotos do envelope e ir olhando uma por uma. A expresso do rosto msculo praticamente no se alterou. Carlo tinha mesmo muito autocontrole.
- Esclarecedor no acha? - ironizou Aysha. Ele fitou-a nos olhos.
- Muito.
Ela cruzou os braos e disse:
- Acho que mereo uma explicao.
- Bem, eu fiquei mesmo hospedado nesse hotel e Nina tambm estava l. Mas ela foi sem nenhuma demonstrao de interesse da minha parte.
-	E isso  tudo que tem para me dizer? 
- At onde sei. sim.
- Quer dizer que Nina s ficou assim de p do lado de fora da porta de seu apartamento? Acha mesmo que vou acreditar nisso?
-  a verdade - afirmou Carlo, sem se alterar.
- Estou muito ciente de que nosso casamento vai se basear em uma convenincia. mas exijo pelo menos sua fidelidade. Carlo.
Ele estreitou o olhar. mostrando-se irritantemente calmo. 
- Minha fidelidade no est em jogo.
- No? - indagou Aysha. 
- Poderia repetir a questo?
- Por qu? - ela perguntou. - Que parte voc no entendeu?
- Eu ouvi as palavras mas estou tendo dificuldade em compreender o motivo.
Ela passou a mo pelos cabelos. tentando se conter. 
-  simples: no nosso casamento s h lugar para dois. No vou admitir que voc tenha uma amante!
- E por que eu teria uma? - perguntou ele com calma. 
- Para complementar aquilo que compartilhamos na cama? - Aysha ironizou.
A expresso de Carlo no se alterou.
- Nina fez mesmo um timo trabalho, no? - indagou ele. - Ser possvel que prefere acreditar mais nela do que em mim? O que ns compartilhamos na cama, Aysha? Sexo prazeroso?
Um brilho de fria surgiu nos olhos dela. 
- Pelo visto, no o suficiente - respondeu. Algo surgiu no olhar de Carlo. Uma emoo que Aysha no se importou em tentar entender.
- Nina tem muito o que explicar - disse ele. - Pelo menos nisso ns concordamos.
- Vamos deixar uma coisa bem clara aqui, Aysha. Voc tem meu voto de fidelidade, e eu tenho o seu. Entendido? - Ela no respondeu e Carlo continuou esperando a resposta. - Aysha?
Ela respirou fundo.
- Mesmo sabendo que Nina  uma mau-carter, acho coincidncia demais vocs haverem estado em Melbourne no mesmo perodo, no mesmo hotel e no mesmo andar. Provas fotogrficas tm um peso e tanto, no acha?
Carlo passou a mo pelos cabelos, parecendo impaciente. 
- Tambm no lhe ocorreu que  estranho um fotgrafo haver estado justamente no hall do hotel quando eu e Nina entramos... coincidentemente juntos? E tambm o fato de ela haver escolhido um quarto convenientemente prximo ao meu? No acha que foi convenincia demais o fotgrafo estar no local e na posio certa para tirar fotos muito bem arquitetadas?
- Voc a estava beijando!
- Correo: ela estava me beijando.
-  mesmo? Pois isso no parece fazer muita diferena para mim.
- Se houvesse mais algumas fotos tiradas depois desse momento que foi registrado, tudo ficaria mais claro. Mas, evidentemente, Nina no quis lhe entregar essa parte das fotos.
- Segundo ela, voc representa uma espcie de prmio maior na busca de um marido ideal. Rico, bonito e um amante maravilhoso. - Ela sorriu com amargura. - Palavras dela, no minhas.
- Um elogio vazio, levando-se em conta que  falso. Aysha estreitou o olhar.
- Est querendo dizer que recusou uma mulher experiente e totalmente disponvel como Nina? Quanta nobreza.
 Carlo se adiantou e segurou o queixo dela entre ou indicador e o polegar, aumentando a presso quando ela tentou se afastar.
- Por que eu iria querer ter um rpido envolvimento sexual com uma mulher que no significa nada para mim? 
- Para sanar um momento de mero desejo fsico? - arriscou ela, no se importando com a presso dos dedos dele em seu queixo.
- No me provoque, Aysha. 
Ela o fitou nos olhos ao dizer: 
- Como se sentiria se a situao fosse inversa? Carlo enrijeceu o maxilar.
- Eu mataria o sujeito.
O tom de voz dele transmitiu uma fria controlada. A mo que estava em seu queixo deslizou para sua nuca e se manteve ali.
- Seria uma atitude um pouco extremada, no acha? - perguntou a ele.
- Acha mesmo?
- Esse tipo de atitude poderia lhe custar caro. Poderia acabar indo para a priso e talvez passar o resto da vida por l.
- No pelo tipo de morte que eu provocaria.
Aysha o fitou por um instante. Ento entendeu o que ele quisera dizer com aquilo. Carlo tinha poder e influncia suficientes para arruinar a vida financeira e a carreira de uma pessoa, se quisesse. E poderia fazer isso sem deixar o menor vestgio de sua ao.
- Vou me mudar para nossa casa durante alguns dias - disse a ele, em um impulso. - Diante do olhar surpreso de Carlo, explicou: -  a casa ou um hotel.
Carlo sentiu vontade de segura-la pelos ombros e sacudi-la, para faz-la acordar. Era dificil tentar convencer algum da verdade quando a pessoa no se dispunha a ouvir. 
- Se  isso que prefere - disse apenas.
- Obrigada.
Aysha foi friamente polida, mantendo uma atitude distante.
- Reservei a mesa para daqui a meia hora - disse ele. - Melhor irmos, se no quisermos nos atrasar.
- V sozinho, Carlo. Ou no v, se preferir. Sua deciso pouco me importa.
Dizendo isso, ela foi at o quarto, pegou algumas peas de roupa e alguns itens de higiene pessoal, ciente do olhar de Carlo sobre si durante todo o tempo.
Por um momento, ela se sentiu sozinha, completamente sozinha. Mas sabia que aquilo era ridculo. Contrariada consigo mesma por aquele tipo de pensamento, pegou a bolsa e pendurou-a no ombro.
- Aysha.
Ele observou que ela havia pegado poucas peas de roupa. Isso deveria deixa-lo mais tranqilo, mas Carlo no conseguiu deixar de se sentir apreensivo. Ao ouvir o chamado, ela se virou para olha-lo.
- No momento, nada do que voc possa dizer far diferena para mim - disse ela.
Ento passou por ele e se dirigiu  sada. Pensou que Carlo fosse tentar det-la, mas isso no aconteceu.
O elevador chegou pouco depois e Aysha desceu direto para o estacionamento.
Carlo ficou diante da ampla janela de vidro, mantendo as mos nos bolsos. Aps alguns minutos de tenso, pegou o telefone  n e digitou um nmero.
O detetive particular era um dos melhores profissionais na rea e, com o uso da tecnologia moderna, o homem teria a resposta que ele estava querendo dentro de poucos dias.
Em seguida, deu mais trs telefonemas e ofereceu uma absurda quantia em dinheiro para se assegurar de que seus pedidos, ou melhor, suas ordens fossem obedecidas dentro do prazo.
Dali em diante, s restaria esperar. E continuar a suportar o comportamento de Aysha por alguns dias. Depois disso, no haveria mais lugar para confuso.
Voltando a se aproximar da janela, passou a mo por entre os cabelos mais uma vez. Ainda assim, a fora no era a resposta. Apenas a prova em si, a prova irrefutvel.
No mundo dos negcios, era essencial cobrir todas as bases e oferecer apoio. No via por que isso tambm no poderia dar certo em sua vida pessoal.



Captulo 6



Aysha estava alheia  noite do lado de fora do veculo e aos faris dos carros que vinham na direo oposta. Dirigindo feito uma autmata enquanto cruzava ruas, passou pela Harbour Bridge e chegou quase que por milagre ao subrbio de Clontarf. Talvez por ajuda divina, pensou com amargura, enquanto acionava o controle remoto que abria os enormes portes metlicos da manso que Carlo construra.
As luzes automticas se acenderam quando ela chegou  porta da garagem. Ao entrar, verificou o sistema de alarme e o colocou no modo de operao de vigilncia externa.
Estava tudo to quieto que Aysha foi de maneira automtica at a sala de descanso para ligar a televiso. Ento olhou ao redor e observou a decorao perfeita do local.
Uma casa linda, luxuosa, com todos os detalhes trabalhados  perfeio. Exceto um: o relacionamento do casal que em breve deveria habita-la.
Um suspiro triste escapou-lhe por entre os lbios. Aquela fuga temporria fora uma tolice, no fora? Afinal de contas, o que poderia ganhar com tal atitude?
"Droga", pensou consigo mesma. Nina plantara aquelas sementes de discrdia de maneira deliberada.
Ao sentir um tremor lhe percorrer o corpo, rumou com passos firmes at o closet. J era tarde, estava se sentindo exausta e tudo de que precisava era um bom banho, lenis limpos e uma boa noite de sono. Contudo, ao pegar um jogo de roupas de cama, franziu o cenho e decidiu no dormir no quarto principal. Talvez um dos quartos de hspedes, que no despertasse tantas lembranas, fosse mais saudvel. Alm do mais, no queria se sentir sozinha no meio da enorme cama de casal, que j fora palco de sua rendio a seu amor no correspondido.
Depois de se banhar e de vestir uma camisola leve, deitou-se na cama de solteiro do quarto escolhido e ficou ali, parada, olhando para a escurido enquanto sua mente fervilhava, sem deixa-la adormecer.
Carlo. Estaria ele na cama, sem conseguir pegar no sono? Ou teria optado por sair para algum lugar? E se Nina estivesse l tambm? Seria a oportunidade perfeita para ela se aproximar dele e... "Oh, pelo amor de Deus, Aysha, pare com isso!", repreendeu-se. "Seja ponderada."
O problema era que parecia impossvel ser ponderada naquele momento. Como se no bastasse, o sono parecia no querer alcana-la.
O mximo que conseguiu foi dar uma srie de pequenos cochilos agitados, pois a noite se arrastou com um impressionante vagar at que o sol da manh comeou a iluminar o cmodo. Ao olhar as horas, verificou que ainda era pouco mais de seis da manh. No precisaria se levantar to cedo, mas lhe pareceu impossvel continuar na cama.
Respirando de maneira profunda, levantou-se e, descala, fez o toalete antes de se dirigir  cozinha. Depois de um desjejum leve, decidiu nadar um pouco antes de se arrumar para sair com Teresa, que chegaria s dez horas.
J eram quase sete e meia da manh quando saiu da piscina. Enxugou-se enquanto caminhava pelo ptio, at o interior da casa. Assim que entrou, ouviu o telefone tocar. Sem pensar, atendeu-o por reflexo, em italiano.
- Pronto!
- Dormiu bem?
Aysha respirou de maneira profunda ao ouvir aquela voz to familiar.
- Por qu? Esperava que eu passasse a noite em claro? 
Houve uma breve pausa antes de Carlo voltar a falar, o que ele fez em um tom que deixaria qualquer um apreensivo. 
- No me provoque, cara.
- Oh, estou tremendo de medo - provocou ela, com falsa doura.
- Deveria estar mesmo.
O timbre da voz dele se tornou ainda mais grave, provocando um arrepio em Aysha. Foi preciso se esforar para manter o controle e dissimular o que estava sentindo.
- No gosto de me sentir intimidada.
- Nem eu gosto de sofrer uma acusao falsa. Naquele momento, qualquer deslize poderia leva-los a dizer algo de que ambos se arrependeriam depois. Lanando mo de sua fora de vontade, Aysha tentou ser o mais polida possvel.
- H alguma outra razo para seu telefonema, alm de saber como dormi? Tenho milhes de coisas para fazer. 
- Grazie - falou ele, com sarcasmo.
Isso a levou a fazer uma careta e a responder com ironia: 
- Prego!
Depois de desligar, Aysha se arrumou e ficou feliz por Teresa chegar mais cedo. Sua me estava to preocupada com a lista de coisas por fazer que nem notou seu abatimento. Melhor assim. Se notasse, a me iria criva-la de perguntas, o era a ltima coisa que Aysha desejava que acontecesse.
Ao final da tarde, no entanto, quando estava prestes a ir embora, sua me falou:
- Notei que ficou um pouco intolerante agora  tarde. Por acaso est se sentindo mal? No est doente, est? 
-  apenas um comeo de enxaqueca.
0 que era algo bem prximo da verdade.
- Oh, tome um analgsico e v repousar.
- Eu e Carlo vamos  abertura da exposio de esculturas da galeria, hoje  noite - respondeu Aysha, tentando no parecer irritada com tal perspectiva.
- Oh, querida, ainda bem que ele ir leva-la para passar o fim de semana em Gold Coast. O descanso lhe far muito bem - afirmou Teresa.
Mas Aysha duvidava disso.
A galeria estava lotada com os mais diversos tipos de convidados. Alguns haviam comparecido apenas para tentar conseguir algum destaque social, outros eram meros admiradores de arte e havia ainda a categoria dos que pretendiam comprar alguma pea para suas colees.
Carlo e Aysha pertenciam a uma categoria distinta. Eram amigos de um dos artistas que exibiam suas obras e pretendiam apoia-lo.
- Ciao, bella - disse uma voz masculina, levando-a a se virar e a sorrir para o atraente rapaz que lhe enviara o convite para comparecer ali.
- Bruno! - comemorou Aysha, abraando-o com entusiasmo. - Como voc est?
- Bem melhor por v-la aqui - respondeu o artista, beijando-lhe o rosto com um estalido. - Maldito seja esse seu noivo, por t-la fisgado primeiro - afastando-a, fitou-a nos olhos antes de encarar Carlo e arquear uma sobrancelha. - Carlo, amici, come stai?
Algo se passou entre os dois homens. Aysha percebeu que aquele confronto poderia se transformar em algo menos amistoso, ento passou o brao pelo de Carlo e se dirigiu ao amigo:
- Vamos, mostre-nos seus trabalhos.
Ao longo da meia hora seguinte eles caminharam pela galeria, observando as peas e conversando com algumas pessoas. Quando Carlo se aproximou de um grupo de conhecidos para falar sobre negcios, ela foi para perto de uma das esculturas de Bruno para aprecia-la melhor.
- Seus lbios esto sorrindo com generosidade, minha amiga, mas seus olhos esto tristes - falou o escultor. - Por qu?
- O casamento ser daqui a oito dias. Teresa e eu temos passado os ltimos dias fazendo compras e Carlo tem me levado a eventos sociais todas as noites.
- Eu disse "triste", cara, no-falei "cansada". Se seu noivo no estiver cuidando bem de voc, ter de se ver comigo. 
Aysha sorriu. e seus olhos brilharam de divertimento. 
- Oh, um duelo de espadas ao cair da tarde? Ou seria com pistolas antigas?
- Bem, eu teria um grande prazer em quebrar o nariz dele.
Ao se virar para olhar Carlo, ela ficou paralisada. Bruno, sempre perceptivo; virou a cabea na mesma direo e disse:
- Ah, a maldosa Nina.
A morena estava lindssima e parecia perfeita em seu impecvel vestido cor de escarlate, que delineava cada curva de seu corpo exuberante. E parecia muitssimo feliz por estar se exibindo para Carlo.
Bruno se inclinou e murmurou ao ouvido de Aysha: 
- Devemos interromp-los?
- Imediatamente - respondeu ela, curvando os lbios quase sem conseguir sorrir.
- Quer que eu a entretenha? - ofereceu seu amigo, enquanto se aproximavam deles.
- Obrigada, mas posso travar minhas prprias batalhas. 
- Tenha cuidado, cara, voc est lidando com uma felina perigosa e traioeira. - Bruno parou de falar quando os alcanaram. Ento dirigiu-se a Carlo: - Aqui est sua noiva, seu mais precioso tesouro. - Lanou um sutil olhar de desdm ao inclinar a cabea para a morena. - Ol, Nina.
Ao v-lo virar-se e se perder na multido, Aysha sentiu vontade de fazer o mesmo. Mas era melhor entrar em ao. 
- Querido, busque uma bebida para mim, por favor.
- Voc sabe do que eu gosto - falou Aysha, observando Carlo sair  procura de um garom.
- Creio que tenha visto as fotografias - disse Nina, lanando um olhar maldoso ao corpo esguio de Aysha, e fitando-a de alto a baixo. - Elas devem ter causado um pouco de estresse entre vocs, no  mesmo?
- Estou certa de que era essa sua inteno.
- Oh, mas que inteligncia a sua! - falou a morena, com sarcasmo. - Por acaso decidiu punir as transgresses dele? Francamente, espero que sim. Eu odiaria ter de entreg-lo a outra mulher.
Aysha sentiu como se seu peito estivesse sendo comprimido por algo pesadssimo, mas conseguiu controlar o tom de voz.
- Voc no aproveitou sua maior vocao.
- O que  que a faz pensar isso, queridinha?
- Ora, atuando dessa maneira, deveria ser seguido a carreira de atriz.
Custou-lhe toda sua reserva de energia e autocontrole, mas ela conseguiu dar um lindo sorriso para a morena antes de lhe dar as costas e se dirigir a uma das esculturas de seu amigo.
- Quem venceu?	
Sempre se podia contar com Bruno, ento Aysha sorriu com amargura ao dizer:
- Ento voc notou.
- Ah, estive cuidando de voc todo o tempo - explicou ele, enlaando um brao ao redor da cintura dela. - Agora, diga-me: o que essa pea lhe parece?
- Hum...  interessante. Eu diria que se assemelha  idia que fao quando se fala em um deus africano da fertilidade. Oh, eu no o ofendi, no ?
- Pelo contrrio. Foi isso mesmo que tentei representar. 
- Voc est dizendo isso apenas para me animar - murmurou Aysha.
Bruno colocou a mo sobre o peito com ar solene.
- Eu juro - garantiu ele, fazendo-a rir antes de fita-la nos olhos. - Por que no eu, cara? Eu a trataria como uma rainha.
- Eu sei.
- Voc o ama, no ?
- Isso  assim to bvio?
- Apenas para mim - afirmou Bruno, em tom sbrio. - Espero que Carlo saiba como ele tem sorte por isso. Ele sabe.
Ao ouvir um pigarreado atrs de si, Aysha se virou e encontrou o olhar intenso e ameaador de Carlo. Ento afastou-se com delicadeza do abrao do amigo.
- Eu estava analisando a escultura de Bruno.
- No me venha com joguinhos, cara - falou ele, assim que o escultor se afastou.
- Ento faa o que voc mesmo fala, queridinho - provocou Aysha. - E, por favor, traga-me aquela bebida, sim? Isso dar a Nina outra chance de embosca-lo. ,
Carlo comeou a praguejar baixinho mas se conteve. Ento retomou o controle e falou:
- Podemos sair daqui logo e amigavelmente... ou no. A escolha  sua.
- Bruno ficar magoado. 
- Garanto que ele ir superar.
- Eu poderia fazer um escndalo - ameaou ela, levando-o a fazer uma expresso ainda mais severa. 
- Isso no faria diferena alguma.
Sim, faria. Isso daria a Nina o delicioso prazer de assistir, na primeira fila, a uma discusso entre eles.
- Acho que  melhor comearmos a nos despedir - disse ela em tom de desgosto, voltando atrs em sua ameaa. Dez minutos depois estava sentada no banco do passageiro do Mercedes, atravessando a Harbour Bridge rumo ao subrbio de Clontarf.
Ela no disse uma palavra sequer ao longo de todo o trajeto e, assim que Carlo parou o carro  porta da casa,
Aysha saiu do veculo. No adiantava pedir para que ele no a seguisse, ento nemdeu ao trabalho.
- Bruno  um amigo. Um bom amigo - falou ela, sentindo-se ultrajada pela postura autoritria dele. - O que  bem mais do que posso dizer a respeito de Nina.
- Bruno e Nina no so relevantes. No so problema nosso.
- Ento, qual  o problema, afinal?
- Ns dois - respondeu Carlo, de maneira sucinta e direta.
- Bem, a  que est. Nina no se incomodar nem um pouco por v-lo se casar comigo, desde que possa continuar sendo sua amante.
O olhar dele pareceu faiscar de irritao. 
- Nina tem uma imaginao diablica.
- V para casa, Carlo - falou Aysha, em tom alterado. - Se no for logo, posso fazer algo de que me arrependerei depois.
Nada a prepararia para a selvageria contida com que seus lbios foram tomados pelos dele, forando-a a abrir a boca e a permitir que aquela lngua sedutora pilhasse sua fora de vontade. Foi um ataque deliberado contra seu autocontrole. Foi um beijo poderoso, punitivo, devastador. As sensaes de tempo e espao desapareceram quando uma das mos dele deslizou por entre seus cabelos, massageando-lhe a nuca, enquanto a outra apertava-a contra aquele corpo msculo de maneira irresistvel e possessiva.
Ento a presso diminuiu e a caracterstica punitiva cedeu lugar  paixo, transformando gradualmente aquele contato em um uma carcia sedutora que invadiu seu ser e a fez vibrar e arder por dentro. Desde as emoes mais carnais at seus sentimentos mais sutis. Por fim, sentiu-se fraca e vulnervel.
Mas de algum lugar dentro de si surgiu fora suficiente para Aysha afastar os lbios dos dele. Seu corpo tremia contra o dele enquanto aqueles dedos hbeis acariciavam-lhe o rosto e os lbios.
- Nina no significa nada para mim, entendeu? Nunca significou e jamais significar.
Sem dizer mais uma s palavra, Carlo apenas a encarou. Aysha identificou sinceridade em seu ar triste e decepcionado. Por algum motivo, no conseguia se afastar dele.
Deixando-se aproximar mais daquele corpo msculo e forte, teve o rosto acomodado junto ao ombro dele e sentiu aqueles lbios macios roando seus cabelos dourados.
Perceb-lo ali, senti-lo to sensual e poderoso, ao mesmo tempo em que parecia to sincero, deixou-a dividida. Ento murmurou:
- No quero que passe a noite aqui. 
- Porque ir me odiar pela manh? A respirao dela fluiu de maneira trmula. - Eu me odiaria ainda mais...
Mas tudo que Carlo precisou fazer foi beij-la; para faz-la mudar de idia. Parte dela o desejava tanto que chegava a parecer um tormento. Ainda assim, se cedesse naquele momento estaria completamente perdida. E, para piorar, no chegaria a lugar algum.
Ele a manteve nos braos pelo que pareceu uma eternidade, ento virou o rosto dela na sua direo e fez com que seus lbios se encontrassem em um leve roar, acariciando-a de maneira mais provocante a cada instante, at aquilo se transformar em um beijo to apaixonado que fez quase todas suas dvidas se dissiparem.
Quase. Ele sentiu a oposio sutil de Aysha e, com gentileza, afastou-a de si, segurando-a pelos ombros. 
- Virei busc-la s sete da manh, est bem?
Foi fcil balanar a cabea afirmativamente. Aysha o observou se virar e sair pela porta, ento ouviu o motor ser ligado e o carro partir. Depois de ficar ali, parada, por um tempo indeterminado, foi at a porta para tranc-la, ligou o sistema de alarme e subiu para o quarto.
Dormir parecia uma meta impossvel para aquela noite, ento ela ligou a televiso para procurar algo que a entretivesse. Depois de passar por todos os canais, descobriu que no havia nada suportvel sendo transmitido, ento foi tomar um relaxante banho quente antes de se deitar.
Na semi-escurido do quarto, ficou olhando para os vultos que a cercavam e para a silhueta do teto durante horas, antes de conseguir cochilar pela primeira vez. Mas o curto momento de sono pareceu nem acontecer, pois ela continuou acordando sem parar, assediada por um pesadelo no qual Nina se transformava em uma vampira e vinha atac-la.



Captulo 7


Aysha acordou cedo, colocou um traje de banho e passou pela cozinha para tomar um pouco de suco de laranja antes de ir para a piscina se exercitar.
Depois de quinze minutos de nado intenso, saiu da gua, enxugou-se e voltou para dentro de casa, disposta a se arrumar e tomar o desjejum.
Depois daquela noite praticamente em claro, j no se sentia dividida como na noite anterior.  luz do dia, parecia-lhe melhor que ela e Carlo passassem o fim de semana separados.
Mantendo isso em mente, foi at o telefone e digitou o nmero dele. Quem atendeu foi a secretria eletrnica, o que a levou a desligar de imediato. Talvez ele estivesse no chuveiro ou, na pior das hipteses, poderia estar a caminho dali. Ligou ento para o telefone celular dele, sendo atendida pelo servio de mensagens.
Droga. Seria muito menos complicado cancelar tudo por telefone do que confront-lo pessoalmente.
Eram quase sete horas quando Carlo entrou pela cozinha, estreitando o olhar ao v-la trajando uma cala jeans desbotada e uma camiseta antiga.
- Voc no est pronta.
- No - respondeu Aysha, em tom firme. - Acho que precisamos passar o fim de semana separados.
A expresso dele transmitia uma firmeza implacvel. 
- Discordo. V se trocar e arrume sua mala. No temos muito tempo.
- D-me um s motivo para que eu deva ir - exigiu ela, erguendo o queixo de um modo que sempre o deixava quase fora de si, desejando beij-la at transformar aquela fria em algo mais aprazvel.
- Eu poderia lhe dar inmeros, mas, no momento, estamos perdendo um tempo precioso.
Sem dizer mais nada, ele se dirigiu  sala e subiu a escada de dois em dois degraus. Aysha o seguiu, observando-o entrar em seu quarto, abrir um armrio, pegar uma mala de couro e coloc-la aberta sobre a cama. Ento Carlo comeou a mexer em suas roupas, descartando algumas e colocando outras na mala, antes de abrir uma das gavetas e apanhar um punhado de roupas ntimas sem se dar ao trabalho de escolh-las, colocando-as junto s outras roupas.
- O que  que voc pensa que est fazendo?
Um par de sapatos de salto alto foi levado  mala, logo depois de um par de sandlias.
- Pensei que estivesse evidente.
O passo seguinte da "devassa" ocorreu no banheiro, onde ele pegou vrios itens de higiene pessoal e maquilagem, ajeitando tudo em uma frasqueira, antes de coloc-la em um canto da grande mala. Mesmo em seu frenesi, Carlo encontrou tempo para lanar um olhar na direo dela, fitando-a de alto a baixo.
- Talvez voc queira se trocar.
O olhar de Aysha faiscou de indignao. 
- Eu no quero.
Ele deu de ombros, apertou a tampa da mala e a fechou com habilidade.
- Ora, ento vamos.
- Voc no me ouviu? J disse que no vou a lugar algum.
Carlo estava calmo demais. Perigosamente calmo. 
- J passamos por essa cena antes.
- Mas que inferno! - bradou Aysha, deixando a cautela de lado. - Vamos passar por isso outra vez, se  assim que quer.	
- No - falou ele, em tom definitivo.
Colocando a ala da mala sobre um dos ombros, passou o brao pela cintura dela e a colocou por cima do outro com tamanha facilidade que a fez soltar um rudo gutural de ultraje.
- Ora, seu... O que pensa que est fazendo agora? 
- Raptando voc.
- Mas... Por qu?
Carlo saiu do quarto e comeou a descer o curto lance de escada.
- Porque ns vamos viajar para Gold Coast, conforme o planejado.
Aysha se debateu e no conseguiu se soltar. Frustrada, comeou a esmurrar as costas dele.
- Coloque-me no cho!
Ele nem sequer alterou o ritmo em que estava andando enquanto era esmurrado em toda a regio das costas, limitando-se a soltar um leve gemido no momento dos impactos mais fortes.
- Se no me colocar no cho agora mesmo, vou fazer com que a polcia o prenda por tentativa de rapto, roubo e qualquer outra coisa que eu consiga pensar!
Chegando ao hall de entrada, Carlo colocou-a no cho, bem  sua frente.
- No, no vai.
Ele era maior, muito mais forte e tinha uma expresso decidida no rosto, mas Aysha no se deixou intimidar. 
- Quer apostar?
- Acalme-se, cara mia. 
- No sou "sua querida"! Ao ver os lbios dele se curvarem, ela bateu com o indicador no peito dele vrias vezes, marcando o ritmo de sua fala:
- No ouse rir de mim!
Tomando-a pelos ombros, Carlo a segurou com firmeza. 
- O que quer que eu faa? Que a beije? Ou que  debruce sobre meus joelhos e bata em seu delicioso traseiro macio?
- Macio? - indignou-se ela.
- Suas ndegas at que eram mais curvilneas do que as da maioria das mulheres, mas com toda aquela ginstica, eram bem durinhas!
- Se continuar teimando comigo... 
- Macio! Ora!
- ...serei obrigado a optar por fazer uma coisa ou outra. 
- Experimente encostar a mo em mim para me agred... Carlo foi gil demais, fazendo-a perder o sentido do significado das palavras quando seus lbios se encontraram. Mal comeara e o beijo furioso se transformou em pura paixo.
Aysha no soube dizer em que momento seu sentimento mudou, mas seus punhos cerrados se afrouxaram e, no instante seguinte, ela estava acariciando-lhe a nuca com os dedos, deliciando-se com cada instante perdido no tempo. Todos seus sentidos a traram, fazendo-a sentir que o mundo exterior desaparecera e que s restavam eles no universo.
Carlo foi diminuindo a intensidade do beijo aos poucos e com gentileza, at interromper o contato. Mesmo assim, ele continuou a lhe acariciar o rosto com os lbios firmes e convidativos. Aquilo a estava deixando louca.
Quando o viu de afastar de urna vez por todas, tudo o que Aysha conseguiu fazer foi fit-lo de maneira direta, sentindo-se incapaz de dizer qualquer coisa.
- timo. Agora que tenho sua total ateno, oua: um fim de semana em Gold Coast ser timo para ns, pois ficaremos longe de toda essa loucura, sem compromssos sociais nem presses de todos os lados.
"E sem nenhuma chance de deparar com Nina", pensou ela, arqueando uma sobrancelha mas ficando em silncio. Depois de alguns segundos, Carlo pressionou os lbios e ento falou, em um misto de incentivo e splica:
- Ultima chamada, Aysha. Vamos ou ficamos. Est nas suas mos.
O momento de discutir havia acabado.
- Vamos - respondeu ela com firmeza, deliciando-se ao ouvir a risada rouca e aliviada de Carlo.
Entraram no avio dez minutos antes da decolagem e aterrissaram no aeroporto de Coolangatta uma hora depois. Eram quase dez horas da manh quando se registraram no hotel e, minutos depois, estavam entrando no quarto. Era uma sute luxuosa e muito aconchegante. A janela que ia do cho ao teto dava vista para uma paisagem bela e tranqila, ocupada em parte pelo mar, em parte pela vegetao, pelos chals adjacentes e outros hotis distantes. O imperceptvel rudo dos carros, e das pessoas parecia vir de muito longe, como se eles estivessem em um lugar muito remoto.
Alguns minutos depois, Carlo se juntou a ela na janela, aproximando-se por trs e abraando-a pelas costas. 
- Quanta paz - murmurou ele, puxando-a para si. -  mesmo.
- E ento? O que quer fazer do dia de hoje?
O melhor era sair logo daquele quarto sedutor e ir para algum lugar cheio de gente.
- Um parque temtico? - sugeriu Aysha, refletindo por um instante. - J sei. Dreamworld.
Ele dissimulou um sorriso amargo. 
- Eu cuidarei de tudo.
- S isso? Sem oposio? Sem obstculos?
- Podemos alugar um carro e ir at as montanhas. De l pegamos um dos muitos passeios - respondeu Carlo, dando de ombros com muito charme. - A escolha  sua. 
- Durante o dia todo?
- Por todo o fim de semana.
O tom de voz dele pareceu to solene que Aysha pensou que o veria fazer um sinal de escoteiro.
- Comece a me dar poder demais e isso pode comear a me deixar afetada - provocou ela, sentindo-se um pouco mais senhora de si.
- Duvido.
Ele a conhecia muito bem. Talvez bem demais.
- Depois do jantar, iremos ao cassino. E passaremos o dia de amanh no Movieworld.
Multides. Muita gente. Isso a deixaria apenas com as poucas horas que iam do comeo da madrugada at o raiar do sol para ficar naquele quarto maravilhoso na companhia dele, dividindo a imensa e atraente cama redonda que havia em seu centro.
Pouco depois, vestidos como turistas, foram ao parque temtico e participaram de todos eventos e passeios que conseguiram. Quando voltaram para o hotel, ao cair da tarde, estavam mais descontrados. Mas apenas at o momento de tomarem banho e se trocar.
Aysha precisou insistir para que utilizassem o chuveiro em separado, pois sabia o que acontecia quando entravam juntos no banho.
Depois do jantar no restaurante do hotel, pegaram um txi e foram para o cassino. Ficaram l at uma hora da manh e, quando voltaram para o quarto de hotel, Aysha estava to cansada quando apreensiva. O que aconteceria naquela cama enorme? Seria ela capaz de resistir?
Tendo ficado com a primeira rodada de uso do chuveiro, depois de convenc-lo de que ainda no mudara de idia, deitou-se depressa e tentou relaxar enquanto Carlo se banhava. Quando o ouviu se aproximar, fingiu estar dormindo e manteve a respirao lenta e controlada. Foi possvel escuta-lo soltar um suspiro e se deitar tambm. Aos poucos, a respirao dele tambm se acalmou.
O que significava no querer algo e, ao mesmo tempo ficar-se frustrada por no acontecer o que no se desejava? Essa era a questo que preenchia a mente de Aysha naquele momento. O tamanho da cama acabava com qualquer desculpa de toca-lo por aciden...
- Bom dia, dorminhoca. Acorde e levante-se.
Ao ouvir a voz grave dele em tom animado, ela abriu os olhos e ficou ofuscada com a luz forte que permeava o ambiente. O aroma de caf fresco preencheu suas narinas. Seria possvel que j fosse manh?
- O desjejum j est aqui - anunciou Carlo. - Voc tem uns quarenta minutos para comer, tomar banho e se vestir, ou perderemos o nibus do melhor passeio turstico que encontrei para o Movieworld.
O que acontecera com a noite? "Voc dormiu como uma pedra, ora!", respondeu uma voz que ecoava em sua mente. "No foi isso que pediu?"
O passeio foi divertido e emocionante. Passaram um dia agradabilssimo na companhia um do outro e de mais algumas dezenas de turistas do grupo deles, todos muito animados e simpticos.
J era noite quando pegaram o vo de volta no aeroporto de Coolangatta, chegando a Sydney depois das nove horas da noite. Carlo pegou seu carro no estacionamento e eles se dirigiram  cidade.
Por um breve momento, Aysha sentiu-se tentada a optar pelo apartamento, mas Carlo no lhe deu tal opo quando comeou a rumar para Clontarf.
Ela disse a si mesma que no ficou decepcionada quando o viu entrar, verificar se estava tudo certo na casa e reajustar o alarme. O beijo dele foi uma carcia breve, um toque suave e provocante que a deixou sequiosa por mais. Ento ele se virou e voltou para o carro.
Meia hora depois, e apenas alguns minutos aps sua chegada em casa, Carlo atravessou o apartamento e foi at o telefone. Digitou uma seqncia de nmeros e aguardou. Samuel Sloane, um desses advogados extremamente eficientes e dono de excelentes fama e reputao, atendeu no stimo toque e fez uma careta de desgosto ao ouvir o tom amargo de seu cliente, que resolvera lhe telefonar quela hora, em plena noite de domingo e em casa. O homem ouviu o que Carlo tinha para dizer, aconselhou e advertiu quanto ao que lhe estava sendo instrudo, e por fim no se surpreendeu ao ter sua opinio ignorada.
- No estou ligando a mnima para o que  incerto ou arriscado no que diz respeito a proteger meus investimentos e lucros. J lhe disse o que quero que faa. Elabore o documento. Estarei em seu escritrio antes da cinco da tarde, amanh. Agora, ser que estamos entendidos?
A vontade de bater com o telefone em seu suporte era tanta que Carlo pensou que no resistiria  tentao de extravasar o que sentia.
Aysha passou a manh arrumando os itens finais da decorao mais leve que encomendara havia vrias semanas. Havia uma mensagem em sua secretria eletrnica avisando a respeito da entrega, quando chegou da viagem.
Ao meio-dia, verificou o que fizera e concluiu que estava perfeito. O passo seguinte seria sair com Teresa outra vez, que chegaria a qualquer momento para busc-la.
Passou as horas seguintes com a estilista que estava fazendo seu vestido, acertou alguns detalhes com a organizadora do casamento e conseguiu parar para descansar na hora do lanche da tarde.
- Voc no se esqueceu que temos um jantar com Gianna e Luigi esta noite, esqueceu? - indagou sua me. Um incrvel desejo de gritar de desespero brotou em Aysha. No estava com a menor vontade de bancar a "noivinha apaixonada prestes a se casar", muito menos diante do olhar crtico dos pais de Carlo.
Ao entrar em casa, ouviu um recado dele na secretria eletrnica, avisando que passaria s seis horas da tarde para apanh-la.
Por um momento, chegou a retirar o telefone do gancho para retornar a ligao dele, cancelando o jantar, mas ento desistiu. No havia opo, exceto encarar a noite que estaria por vir.
O banho quente na banheira de hidromassagem no a ajudou a relaxar, mas quando o sistema de alarme anunciou que o porto dianteiro fora aberto pelo controle remoto de Carlo, ela j estava pronta. Alis, abriu a porta depois de ouvi-lo sair do carro, enquanto ele ainda estava a meio caminho da entrada.
Era preciso admitir que ele era mesmo um homem muitssimo atraente. Forte, sensual e charmoso. Qualquer traje que usava lhe caa bem. Conhecendo-o desde que se entendia por gente, que opo teria ela, seno am-lo completamente?
- Vamos indo? - indagou Aysha, vendo-o estreitar o olhar.
- Ainda no.
Ela sentiu um frio no estmago.
- No queremos chegar atrasados, no ?
Carlo estava perto. Perto demais. Daquele modo era impossvel manter qualquer distncia mental, por mnima que fosse. Quando aquela mo mscula lhe tocou  rosto, acariciando-lhe uma das faces, foi preciso conter o impulso de se aproximar dele. Era como se estivesse sendo atrada por um poderoso im.
- Voc est plida.
Oh, como era possvel am-lo e odi-lo ao mesmo tempo? 
- Estou com enxaqueca.
A expresso dele se tornou preocupada. 
- Vou telefonar e cancelar o jantar.
- Voc bem sabe que no temos essa opo - falou Aysha, achando difcil lidar com a gentileza dele sem ceder.
- J tomou algum analgsico? 
- Sim, j.
- Povera piccola - murmurou ele, curvando-se para roar os lbios na testa dela.
O corpo inteiro de Aysha estremeceu quando os lbios dele foram deixando uma trilha de beijos leves at encontrarem os seus. Sentiu-se ento ser abraada por aqueles braos fortes e teve a boca invadida pela lngua dele, em uma carcia sedutora e insinuante. Naquele ritmo, logo no lhe restaria um s pensamento racional.
Antes que fosse tarde demais, ela empurrou o peito dele com as mos e interrompeu o contato. Os olhos dele pareciam faiscar de desejo.
- Vamos sair.
Aquela era mesmo sua prpria voz? Desde quando aprendera a falar com tanta sensualidade? Ainda trmula, soltou-se do abrao dele e foi pegar a bolsa.
No carro, recostou-se no banco do passageiro e ficou com o rosto voltado para a janela, olhando a paisagem sem nada ver. No conversou e sentiu-se grata pelo silncio de Carlo, que tambm perdurou at o momento em que ele estacionou o Mercedes atrs do carro de Teresa e Giuseppe.
Como sempre, o jantar foi permeado por muita conversa em italiano e pelos assuntos de sempre, como as crticas das mes de ambos quanto  opo de Aysha continuar trabalhando depois da lua-de-mel e as preferncias dos futuros avs quanto a terem netinhos ou netinhas.
O que surpreendeu ambas as famlias foi a opo de Aysha de esperar alguns anos antes de ter filhos. Para sua prpria surpresa, Carlo a apoiou de maneira incondicional, alegando que essa deciso caberia apenas a ela, ao mesmo tempo em que a comprometeu ao dizer aos dois casais de futuros avs que ambos queriam ter muitos filhos, mesmo que demorassem para comear a t-los.
Em meio quela ruidosa reunio familiar, a ameaa de enxaqueca de horas antes acabou por se estabelecer de uma vez, deixando Aysha ainda mais abatida.
Para sua sorte, Carlo percebeu o que estava acontecendo e a chamou para ir embora um pouco mais cedo do que de costume. Em poucas minutos, estavam no Mercedes, rumando para a manso.



Captulo 8



 - Voc me jogou aos lees.
- Sculo errado, cara - respondeu Carlo, com secura. - E seus to difamados lees so, l no ntimo, gatinhos domsticos.
- Teresa no costuma aparar as garras - comentou Aysha, em tom de constatao e no de crtica. - H ocasies em que ser filha nica  um fardo pesadssimo. 
- S se voc permite que seja assim.
A enxaqueca pareceu ficar ainda mais forte, levando-a a fechar os olhos.
- Vai comear a bancar o psiclogo amador? 
- S estou assumindo meu papel de amigo.
Oh, aquela afirmao era cheia de significado. Amigo. Era um lindo sentimento afetivo, mas um substituto pobre para o amor verdadeiro, que fazia um homem matar e morrer para sustent-lo.
Optando por ficar em silncio, Aysha no disse mais nada enquanto o carro rumava para Double Bay.
- Como est a enxaqueca?
- Piorando - murmurou ela, voltando a fechar os olhos quando os faris dos outros carros a ofuscaram. Carlo no pronunciou mais nenhuma palavra ao longo de todo o percurso at Clontarf, o que foi um alvio para ela. Ao abrir a porta do carro, quando pararam diante da casa, virou-se para agradecer e se despedir, mas ficou sem palavras ao ver a expresso sombria dele.
- Nem mesmo pense em me dispensar - advertiu ele. 
- No me diga: voc pretende bancar o enfermeiro. O silncio dele foi uma eloqente confirmao de suas intenes, ento no lhe restou outra opo seno sair do veculo e rumar para a porta da frente.
Em poucos minutos, Carlo havia encontrado o remdio para enxaqueca e o estava entregando a ela com um copo com gua.
- Tome isso.
Ela engoliu os dois comprimidos e ento fez uma careta de desgosto para ele, dizendo com ironia:
- Sim, senhor.
- No seja impertinente - murmurou ele, em tom gentil. Mas que droga. Era mais fcil lidar com Carlo quando ele quando estava nervoso. Toda aquela amabilidade era irresistvel demais e deixava-a desarmada.
Aysha sabia que deveria protestar quando ele se sentou ao lado dela e a puxou para junto de si, segurando-a no colo e a confortando junto ao peito. Mas leve voz em sua mente lhe murmurou: "Feche os olhos e aproveite!".
E foi o que ela fez.
Demoraria uns dez minutos para que os comprimidos fizessem efeito, ento poderia se levantar, agradecer pelos cuidados e acompanh-lo at a porta, antes de ir dormir.
Permitindo-se desfrutar daquele momento de prazer, ajeitou a cabea junto ao ombro dele e apoiou o rosto junto quele peito msculo. Os braos fortes de Carlo a pressionaram com um pouquinho mais de fora, aconchegando-a junto dele. O silncio na casa era absoluto, por isso o som das batidas do corao dele era a nica coisa que ela podia ouvir.
J ficara acomodada daquela maneira muitas vezes antes. Primeiro como uma criana, depois como amiga e ento como amante.
As lembranas passaram por sua mente como em um filme colorido. Um tombo e os joelhos esfolados na poca da escola. A vez em que conseguira uma nota mxima no bal, e tambm o dia em que fora a primeira colocada no recital de piano. Mas nada se comparava  intimidade que haviam compartilhado naqueles trs ltimos meses. Fora realmente mgico. To espetacular que no havia equivalncia.
Foi possvel sentir os lbios dele roando em seus cabelos, e sua prpria respirao foi ficando mais lenta e calma. Quando Aysha acordou, a luz do dia estava entrando pela janela do quarto.
O quarto principal. Ela estava deitada de um lado da cama enorme. A seu lado, o cobertor estava abaixado, como se algum houvesse acabado de se levantar. Fazendo uma pequena checagem, descobriu que estava apenas com roupas de baixo sobre o corpo.
Ento sua memria clareou e, piscando os olhos devagar, Aysha se certificou de que a enxaqueca havia passado. Naquele momento, a porta do quarto se abriu e Carlo apareceu pela passagem.
- J est acordada? Como est a cabea?
- Voc ficou - murmurou ela, mal reconhecendo a prpria voz, que parecia ofegante e instvel.
Pelos cabelos midos e pelo fato de a nica coisa a cobrir-lhe o corpo ser uma toalha ao redor da cintura, ele parecia haver acabado de sair do banho.
- Digamos que voc ficou relutante em me deixar partir. 
Oh, Deus. Ela fitou o travesseiro a seu lado por um instante e ento voltou a encar-lo. Seus lbios se abriram e voltaram a se fechar. Teriam feito... No. Claro que no. Ser tivessem, ela iria se lembrar. No iria?
Antes de poder dizer qualquer coisa, teve de se controlar para no soltar um gemido ao v-lo tirar a toalha e caminhar com tranqilidade, totalmente nu, at o lugar onde estavam as roupas dele. Vestindo-se com calma, no disse nada, nem mesmo quando ergueu o rosto e a flagrou admirando-o em silncio. Os lbios dele se cur-varam em um sorriso e seu olhar se tornou terno. Terno demais para algum com quem ela queria ficar brava. 
- Importa-se se eu usar uma de suas escovas de cabelo? Os lbios dela se separaram, mas nenhum som saiu de sua garganta. Gesticulando na direo do banheiro da sute, ela pigarreou e disse apenas:
- Sirva-se.
Seguindo-o com o olhar, observou-o atravessar o quarto e desaparecer pela passagem. No mesmo instante, olhou ao redor em busca de algo para se cobrir enquanto. rumava para o closet. Quando comeou a se levantar, viu-o voltando para o quarto e voltou depressa para baixo do cobertor.
- Vou descer, fazer caf e preparar o desjejum - falou Carlo. - Dez minutos?
- Sim. Obrigada - falou Aysha, tentando compreender a decepo que sentiu ao v-lo fechar a porta atrs de si. O que esperava? Que ele fosse at a cama e a seduzisse? Que tentasse beija-la para depois fazerem amor?
Por mais que quisesse negar, uma parte de si desejava aquilo mais do que tudo. Soltando um gemido de desgosto consigo mesma, saiu da cama e foi tomar banho.
Dez minutos depois, entrou na cozinha e foi brindada com o delicioso aroma de caf recm-passado. Carlo estava colocando ovos em um prato onde j havia fatias de torradas quentes, prontas para receber um pouco de manteiga fresca.
- Hum... - murmurou ela, em tom apreciativo. - Voc  muito bom nisso.
- Em preparar o desjejum?
- Entre outras coisas - concedeu Aysha, feliz por estarem ambos vestidos, pois assim era mais fcil lidar com ele.
- Oh.
Desviando o olhar, ao v-lo sorrir, caminhou at a cafeteira. Forte, sem leite e com duas colheres pequenas de acar. Nada melhor do que isso para comear o dia, depois de uma enxaqueca e de acordar seminua na cama da qual Carlo acabara de se levantar. E sem se lembrar de nada.
- Posso servir o seu?
- Sim, por favor - falou ele, colocando um dos pratos diante dela. - Agora, coma.	.
- Ei, voc colocou muito para mim. 
- Coma - disse Carlo, com firmeza.
- Voc  to maldoso quanto Teresa - reclamou ela. Levando a mo ao queixo dela, ele fez com que Aysha o encarasse.
- No, no sou.
O beijo que recebeu nos lbios foi suave e incrivelmente sensual. Quando o viu interromper o contato e afastar o rosto, sentiu uma grande tristeza.
- Preciso ir. No se esquea de que temos de ir  festa do Zachariah, hoje  noite. Eu telefono durante o dia, para informa-la a respeito do horrio.
Faltando apenas alguns dias para o casamento, a presso estava comeando a aumentar. Teresa parecia haver descoberto uma mina de problemas de ltima hora para resolverem. Tanto que, ao final do dia, Aysha estava em dvida se fazia um ou dois dias desde que se despedira de Carlo depois do desjejum.
A necessidade de se sentir segura naquela noite era essencial, ento todos os recursos eram vlidos. Um dos pontos de apoio seria seu traje. Escolheu um vestido preto, justo, de decote baixo e com finas alas nos ombros, deixando boa parte de seu colo exposto, realando seu bronzeado. Optou por usar algumas jias: uma gargantilha de ouro, delicados brincos em forma de gota e com um nico brilhante no centro e, para completar, um fino bracelete de ouro, cravejado de pequenos diamantes. Os sapatos Stiletto, de salto alto, foram o toque final em seu visual de "vestida para matar".
Ao se olhar no espelho, depois de aplicar a maquilagem, concluiu que estava tima. Se algum reparasse em suas olheiras, teria vrias desculpas para tanto. Afinal, na semana anterior ao casamento, uma noiva tinha uma avalanche de compromissos a cumprir.
A mensagem de Carlo em sua secretria eletrnica avisara-a de que iriam sair s sete e meia da noite. A festa seria em Palm Beach, que ficava a quase oitenta quilmetros de Vaucluse. Uma hora de viagem, se o trnsito estivesse razovel.
Aysha daria tudo para no precisar ir. A perspectiva de se encontrar e interagir com seus muitos conhecidos e colegas no era nada agradvel, pois sorrir e parecer satisfeita no passava de um ato encenado apenas para agrad-los.
O alarme anunciou a chegada de Carlo, que abrira o porto com seu controle remoto pessoal. No mesmo instante, o estmago dela se contraiu e pareceu formar um n apertado. Tentando agir antes que seu sistema nervoso entrasse em sobrecarga, pegou a bolsa que combinava com os sapatos e desceu para o trreo, rumando para a porta. Ao abri-la, viu-o saindo do carro e se voltar em sua direo, olhando-a de alto a baixo.
Com um enorme esforo, trancando a fechadura e acionando o alarme ao sair, caminhou na direo do veculo, tentando no encar-lo enquanto ele abria a porta do Mercedes e a ajudava a colocar o cinto de segurana. No instante seguinte, sua porta estava fechada e Carlo j se acomodava ao volante, virando-se de lado para encar-la.
Seus olhares se sustentaram por mais de um minuto, em silncio, sem movimentos, sem flego. Oh, mas Aysha estava respirando, ou seria impossvel sentir o perfume sedutor daquela colnia masculina que permeava suas narinas, trazendo lembranas sensuais  sua memria.
Por que os carros eram to estreitos? Deveria haver mais distncia entre os bancos da frente. Talvez uma divisria. Sem janelas. Sim, isso seria bem melhor. Contendo um suspiro, imaginou se ele fazia a menor idia de quanto esforo estava sendo necessrio para ela permanecer com a expresso tranqila que estava forjando.
Por sorte, Carlo quebrou o silncio antes que seus olhos comeassem a se encher de lgrimas.
- Como voc est?
Aquelas palavras eram apenas um cumprimento comum, mas foram capazes de faz-la estremecer por dentro, por dar a impresso de que ele se importava de verdade.
- Bem.
Aysha no pretendia dar nenhuma resposta que se aproximasse da verdade.
Ento Carlo colocou o carro em movimento, dirigindo com a firmeza de sempre, como se nada pudesse abal-lo. Voltando-se para a janela para se distrair com a paisagem, Aysha no pde ver o modo como ele tencionou os msculos do corpo, franzindo o cenho por um instante. A mente dela se ocupava de outras coisas. Nina iria aparecer? S lhe restava rezar para que no, mas era uma possibilidade. Alis, era algo bem provvel, considerando que o casamento estava muito prximo, o que levaria a mulher a se agarrar a qualquer oportunidade que tivesse.
Ao tentar imaginar que tipo de esquema ardiloso a morena teria em mente para provoc-la caso se encontrassem, Aysha ficou ainda mais desanimada. Tanto que as poucas palavras que estava trocando com Carlo ao longo do caminho logo se transformaram em um pesado silncio, rompida apenas pela voz dela mesma, alguns quilmetros depois.
- Acha mesmo que  imprescindvel aparecermos l essa noite?
Ele a fitou nos olhos por um instante.
- Est preocupada com a presena de Nina? Isso no  necessrio. No darei oportunidade nenhuma para que ela faa algo desagradvel.
- Claro. Ento voc acha que  capaz de control-la? - indagou Aysha, com ironia.
Encarando-a com ar srio, Carlo se virou para a estrada outra vez, dizendo:
- Veja por si mesma quando chegarmos l.
- Oh, pode ter certeza de que ser isso que farei. Pensando bem, at que aquela noite poderia trazer algo de interessante.
Chegaram ao local da festa em um horrio apropriado. Pelo nmero de carros parados  porta, Aysha imaginou que deveria haver pelo menos uns trinta convidados, mas avistou uns cinqenta quando eles entraram na casa, acompanhados pelo anfitrio.
Depois de desfilar ao lado de Carlo, por entre os convidados, distribuindo sorrisos como se fosse a pessoa mais feliz do mundo, ela percebeu que estava com fome e deixou escapar um comentrio.
- Voc no jantou? - indagou Carlo, franzindo o cenho. 
- Adivinhou - murmurou ela em tom irnico, mas oferecendo um sorriso teatral.
- Deveria ter me avisado quando fui busc-la. 
- Por qu?
Os dedos dele lhe tocaram a face.
- Poderamos ter parado pelo caminho para comer. O toque de Carlo chegou  base de sua nuca, fazendo-a sentir-se toda arrepiada de prazer.
- Por favor, no...
- Estou interrompendo alguma briguinha?
Assim que ouviu aquela voz, Aysha a reconheceu de imediato. Antes de se virar, tratou de conjurar um sorriso bem delineado.
- Nina.
A morena examinou com avidez a expresso de Aysha, ento se voltou para o objeto de sua obsesso, colocando a mo sobre a manga do terno de Carlo.
- Problemas no paraso, caro?
- O que a fez pensar que deveria haver? - falou ele. Seu tom parecia superficialmente gentil, mas deixava clara uma frieza impar, combinando com o olhar ameaador que ele lanou na direo dela enquanto afastava a mo dela de seu brao com muita firmeza.
A expresso de falsa decepo de Nina pareceu haver sido elaborada para ser provocante e sensual.
- Linguagem corporal, querido.
-  mesmo? - O sorriso nos lbios dele era visivelmente irnico. - Nesse caso, eu lhe sugeriria que se esforasse mais, pois sua percepo nessa rea no anda nada boa.
Ao ouvir aquilo, Aysha sentiu vontade de aplaudir. Se no fosse por seu envolvimento emocional, seria at divertido ver aquela batalha se desenrolar.
- Voc bem sabe que isso no  verdade - contraatacou Nina.
- Conheo apenas sua reputao. No tenho o menor conhecimento por experincia prpria - garantiu Carlo, com determinao pungente e em tom de severa constatao.
Era como se sua voz contivesse uma clara ameaa a qualquer um que ousasse contrari-lo.
- Oh, querido,  mesmo? Sua memria anda to fraca assim?
-J freqentamos os mesmos lugares e nos sentamos  mesma mesa algumas vezes. Isso  tudo.
Nina lanou um olhar breve e superficial na direo de Aysha.
- Se  assim que prefere - falou ela com doce ironia, soltando uma risadinha maldosa e balanando a cabea negativamente. - A questo  simples: sua noivinha acreditar nisso?
Aysha pde vislumbrar o sorriso vingativo e a maldade no olhar da morena durante o breve instante em que se encararam, antes de Nina voltar a se dirigir a Carlo.
- Ciao, queridos. Tenham uma vidinha feliz.
Ao dizer isso, a morena se virou e se afastou caminhando como se estivesse em um desfile, movendo o corpo com ensaiada sensualidade enquanto se dirigia para o outro lado do salo.
- Acho que preciso de um pouco de ar fresco - murmurou Aysha, decidida a tomar tambm outro copo de champanhe, para tentar aliviar a tenso que se acumulara em seu corpo.
Os dedos fortes de Carlo se fecharam ao redor de seu pulso.
- Vamos juntos.
- Eu preferiria ir sozinha.
- E dar mais essa satisfao a Nina? - indagou ele, j em movimento rumo ao jardim iluminado, que ficava alm do terrao.
- Pode ter certeza de que a ltima coisa em que quero pensar  em Nina obtendo algum tipo de satisfao.
O aperto dele sobre seu pulso se tornou um pouco mais intenso, fazendo-a parar de andar e encar-lo. Estavam em um ponto isolado no qual, apesar da boa iluminao, no havia mais ningum. As vozes dos outros convidados pareciam distantes e abafadas pela vegetao que os cercava.
- Nunca menti para voc, cara mia - falou ele, sustentando-lhe o olhar com intensidade inigualvel.
- H uma primeira vez para tudo.
Carlo ficou em silncio por alguns segundos.
- Recuso-me a aceitar que os planos maldosos de Nina destruam nosso relacionamento.
A mortal suavidade no tom de voz dele deveria t-la advertido para no retrucar, mas Aysha estava alm da capacidade de controlar racionalmente seus impulsos.
- Relacionamento? No vamos nos iludir a respeito de nossa unio ser qualquer coisa alm de um acordo comercial de benefcios mtuos - declarou ela, surpreendendo a si mesma com a facilidade com que dissera aquilo. - Uma sociedade selada por um casamento, para garantir a continuidade de um imprio financeiro para a prxima gerao da famlia.
Enquanto esboava um triste sorriso sarcstico, ela se viu surpreendida pela imprevisvel reao de Carlo, que rapidamente a levantou com um dos braos e a colocou por cima do ombro.
Aysha protestou, ultrajada, golpeando-o nas costas com os punhos cerrados.
- O que pensa que est fazendo comigo? De novo?! 
- Vou lev-la para casa.
- Coloque-me no cho!
Permanecendo em silncio, ele nem se deu ao trabalho de gemer quando era esmurrado nas costas, soltando-a apenas quando chegaram ao carro.
- Seu... seu bruto! - acusou Aysha, vendo-o abrir a porta sem soltar-lhe um dos braos.
- Entre no carro.
- No ouse me dar ordens!
Contendo o impulso de praguejar, Carlo a segurou pelos ombros e a puxou contra si, cobrindo os lbios dela com os dele com uma presso punitiva, ignorando as tentativas dela de quebrar o contato.
Depois de resistir e de tentar rejeit-la por alguns segundos, Aysha soltou um gemido quando uma das mos dele a segurou pela nuca e a outra lhe pressionou o meio das costas. Quando sentiu a lngua dele invadir sua boca, ficou furiosa com seu prprio corpo traidor, que comeou a cooperar com aquela provocao sensual.
s mos que o agrediam ficaram paralisadas e, pouco depois, comearam a acarici-lo. Seus lbios se suavizaram e seu corpo se moldou ao dele, fazendo-a esquecer-se de como estava brava momentos antes.
Ao sentir o corpo dele estremecer por inteiro, percebeu quanto Carlo estava excitado, o que a deixou no mesmo estado.
Era como se estivesse afundando em um lago de sensualidade e seduo, sem a menor chance de ser salva daquela sensao de prazer. Seus lbios pareciam pulsar contra os dele. Seu corpo inteiro clamava por ser tocado.
Conforme ele afastou o rosto e foi quebrando o contato, Aysha teve a sensao de estar sendo sugada por um redemoinho. Incapaz de pensar, acabou se rendendo e entrando no carro, antes que voltasse a se recostar nele e a abra-lo, o que seria ainda mais humilhante.
Observando a paisagem adiante com um olhar vago, tentou no se virar para Carlo quando ele ocupou o assento do motorista e colocou o veculo em movimento.
No conversaram sobre nada a caminho de Clontarf. Quando Carlo fazia alguma pergunta, suas respostas eram curtas. A imagem de Nina surgia como um espectro em sua mente, assim como as palavras que a morena dissera e que ecoavam repetidamente em sua cabea.




Captulo 9


Carlo estacionou o Mercedes em uma vaga, na avenida principal, desligando ento o motor e soltando o cinto de segurana.
Aysha o encarou com ar de indagao. 
- Por que parou aqui?
Inclinando-se, ele soltou o cinto de segurana dela tambm. 
- Voc no jantou ainda, est lembrada?
Uma onda de nusea a dominou no instante em que pensou em comer.
- No estou com fome.
- Ento vamos apenas tomar caf.
- Tenho direito a dizer algo a respeito, ou pretende me levar l para dentro  fora?
- Voc perdeu um quilo ou dois, tem estado sempre plida, e essas olheiras j esto querendo se tornar permanentes.
- E eu que pensei que estava bem - falou Aysha, com um suave tom de ironia.
- Podemos comer aqui, ou ento posso preparar algo quando chegarmos em casa.
Isso significava em Carlo entrar na casa, ficar  vontade, ajud-la na cozinha e depois... Ela no queria pensar no que costumava acontecer em seguida, quando jantavam em casa. Ir para l seria o mesmo que ignorar tudo que a preocupava.
Soltando um suspiro desanimado, abriu a porta do carro, O dono do restaurante os recebeu muitssimo bem, acomodando-os em uma mesa central, prxima  pista de dana. A msica grega tocada ao vivo era romntica, agradvel e emotiva.
Carlo pediu caf, mas ela se recusou a beber. O caf grego era deliciosamente forte, mas acabava com o estmago. 
- Ch. Bem fraco, por favor. E no quero nada para comer.
Aysha revirou os olhos quando ele pediu moussaka, um de seus pratos favoritos. Quando o pedido foi servido, foi impossvel recusar-se  generosa oferta da amostra que Carlo lhe ofereceu.
Estava delicioso e, fazendo exatamente o que ele previra, Aysha pegou um dos talheres extra e se serviu de um pouco da comida.
O po fresco e com casca crocante era o acompanhamento ideal para o prato, bem como o vinho que lhes foi servido em seguida.
- Est melhor? - indagou ele, assim que o garom acabou de retirar a loua usada da mesa e de colocar um novo cesto de pes diante deles.
No foi difcil sorrir em resposta. O vinho estava ajudando a amortecer a tenso que enrijecia seus ombros. 
- Sim.
- Mais ch?
- No, obrigada.
- Prefere ficar mais um pouco ou quer ir embora? Aysha o fitou com ateno, mas no conseguiu concluir nada a partir de sua expresso, alm de uma espcie de expectativa paciente. Havia tambm uma profundeza em seu olhar que se mostrava indecifrvel.
Lanou ento um olhar na direo da pista de dana, onde havia alguns casais danando. Parte dela queria a proximidade de seu abrao, de seu aconchego. Contudo, havia uma parte dela que estava transtornada e magoada. As acusaes de Nina ainda ecoavam em sua mente, mesmo que o vinho a tivesse distanciado da dura realidade do que ouvira.
Tudo aquilo estava acontecendo por causa do casamento. Naquele momento, a ltima coisa que queria era falar nisso. Na verdade, no queria dizer nem ouvir nada, apenas sentir.
- Adorei a msica daqui.  to intensa, emocional... Ser que ela tinha a menor noo de quanto parecia sonhadora ao falar? Ou de quanto demonstrava de sua fragilidade? Carlo sentiu vontade de cerrar o punho e esmurrar a mesa. Na verdade, gostaria de acertar as contas com Nina, por causar tamanha mgoa e tanto sofrimento com suas maldades.
Mais do que nunca, desejava levar Aysha para a cama e am-la at que as dvidas desaparecem. Mas era pouco provvel que tivesse tal oportunidade. Pelo menos, no naquela noite.
Era o momento de fazer o jogo da espera. No dia seguinte, teria tudo que desejava. No pretendia esperar mais nenhum dia.
Inclinando-se sobre a mesa, tomou a mo dela na sua e a levou aos lbios.
Foi um gesto sensual e carinhoso, que a fez sentir uma vertigem de prazer. Enquanto seus dedos eram beijados, um a um, sentiu que seus mamilos ficaram intumescidos. 
- Dance comigo.
O tremor em seu corpo ficou mais intenso ao ouvir a voz grave de Carlo soar to rouca, to sedutora. Oh, Deus, o que aconteceria se ousasse se entregar queles braos fortes? O que viria depois? Permitir que fossem pra a cama no resolveria problema algum. Pior, acabaria com sua prpria auto-estima.
- Danar comigo  algo to grave assim? - indagou Carlo, vendo a hesitao na expresso dela.
- Sei o que acontece quando fazemos isso.
Os olhos dele assumiram um brilho de excitao e desejo, enquanto seus lbios se curvaram em um sorriso charmoso. 
- Pode ter certeza de que o sentimento  mtuo. 
- Feromnios.
- Oh - murmurou Carlo, sorrindo de maneira mais ampla enquanto ficava de p e a fazia levantar.
- Os animais so capazes de reconhecer essas substncias, excretadas por outros da mesma espcie, como atratores de acasalamento - explicou Aysha, tentando pensar com clareza.
- Voc acha que  esse o nosso caso?
Foi possvel sentir seu corpo de descontraindo ao entrar em contato com o dele. A sensao de estar flutuando ficou ainda mais intensa quando aqueles lbios sedutores roaram sua tmpora.
- Hum-hum. Acho.
Seria sempre daquela maneira? Um sorriso, um toque e um beijo e pronto? Seria suficiente? Afeio e satisfao sexual, sem amor.
A maioria das mulheres se satisfazia com menos. Muito menos.
Foi com um lamento que Aysha ouviu o conjunto parar de tocar para descansar, algumas msicas depois. Foi quase doloroso sair daquele mundo s deles, que sempre a seduzia quando estavam juntos.
Depois de pagar a conta, Carlo a conduziu para o carro e a levou para casa. Ao pararem  porta da manso, ela levou a mo ao trinco da porta e se voltou para encar-lo, dizendo:
- No precisa se inc...
O olhar que recebeu dele a fez se interromper de imediato. 
- No discuta comigo.
Dizendo isso, ele saiu do veculo.
Dentro da casa, quando se olharam, o desejo entre eles ficou mais do que evidente. Era como se ambos estivessem se atraindo o tempo inteiro. A sensualidade que pairava no ar era quase enlouquecedora.
- Tudo que voc precisa fazer  me dizer para ficar - murmurou Carlo, fitando-a com intensidade.
O olhar de Aysha se tornou triste. Seria to fcil. Bastaria estender a mo e deix-lo assumir o controle. Por um momento, pensou em fazer isso. Neg-lo seria como negar a si mesma. Mesmo assim, havia muito o que dizer e, naquele momento, seria dificil conversar com clareza. 
- Eu sei.
Levantando a mo e acariciando-a no rosto, ele disse apenas:
- V para a cama, cara. Amanh ser outro dia. Soltando-a, Carlo se virou e saiu pela porta. Segundos depois o motor do Mercedes foi ligado e seu som se afastou aos poucos, at desaparecer.
Estava sozinha. Pensara que seria persuadida a deix-lo ficar e estava decepcionada. Aquilo era incoerente! Se ele insistisse, ficaria brava e no cederia. Mesmo assim, em vez de sentir-se aliviada com aquela partida pacfica, tinha a sensao de haver sido abandonada. Aquilo era ridculo.
Acionando o alarme, foi para a sute, tentar esfriar a cabea com um banho demorado.
- Mamma! - protestou Aysha. - No preciso comprar mais lingerie.
- Mas que tolice, querida - declarou Teresa, em tom irredutvel. - Nonna Benini mandou dinheiro com instrues especficas para que voc comprasse lingerie.
Depois de passar a noite em claro, tudo que Aysha no queria era discutir com sua me. Ento se voltou para a vitrine da loja e tentou sentir-se conformada com a situao. 
- Est bem. Vamos entrar.
Depois de um longo tempo, aps comprar algumas peas caras o bastante para sustentar uma famlia de classe mdia por uma quinzena, convenceu Teresa a acompanh-la at uma lanchonete.
- Vamos fazer um intervalo de dez minutinhos para tomar um cappuccino, est bem?
- timo. Assim podemos completar a lista - aprovou sua me.
Aysha concluiu que, se ouvisse a palavra "lista" mais uma vez, iria explodir. Soltando um suspiro, fez o pedido e a acompanhou at a mesa. Foi preciso autocontrole para responder de maneira educada.
- No consigo pensar em mais nada para adicionar. 
- Perfume, minha querida. Algo muito especial, para usar no grande dia.
- Mas j tenho os meus prediletos em casa.
- Sei disso. E todos lhe caem bem, com certeza, mas no dia da cerimnia voc deveria usar algo diferente. Sabe, algo para faz-la se lembrar do dia mais importante de sua vida.
- Mamma...
- As mes sonham com o casamento de seus filhos desde o dia do nascimento. Principalmente se for de uma filha. Quero que o seu seja perfeito, de todas as maneiras possveis. Sei que ter uma vida maravilhosa com Carlo. O amor entre vocs  lindo.
"Mas unilateral", pensou Aysha, em silncio. Ao mesmo tempo em que desejava algo mais para si mesma, como por exemplo a certeza de que era amada, sabia que seria intil "caar arco-ris".
- Seu pai e eu tivemos um casamento simples por opo. Nossos pais nos deram dinheiro mas, na poca, estvamos investindo tudo na empresa.
- Eu sei - respondeu ela, segurando as mos de sua me entre as suas, com afeto. - Dou muito valor a tudo que j fez e ainda faz por mim.
J eram mais de onze horas da manh quando passaram pelo arco. A lista de pendncias recebera mais um item, o to falado perfume, que se revelou como a compra de uma linha inteira de produtos e cosmticos.
Aysha apenas seguiu o fluxo. Comeu um pouco de salada de frango quando pararam para almoar, tomou dois analgsicos para a dor de cabea e tentou mostrar interesse no resumo de presentes de casamento que Teresa insistiu em listar, j que os pacotes estavam chegando "aos montes", segundo ela.
s trs horas da tarde seu telefone celular tocou e, ao atender, foi impossvel no reconhecer a voz grave de Carlo do outro lado da linha.
- Teve um bom dia?
A pulsao do corao dela acelerou.
- Estamos quase acabando as tarefas de hoje. 
- Estarei na sua casa s sete horas.
Ciente do interesse de sua me quanto ao que era falado, Aysha se esforou para ser mais amvel do que desejava. 
- Devo preparar algo para jantarmos?
- No. Ns comeremos fora. 
- Ok. Ciao.
Desligando, colocou o aparelho na bolsa.
- Carlo - deduziu Teresa, recebendo um sorriso em confirmao. - Sim, ele  um bom homem, est vendo? Voc tem muita sorte.
S havia uma resposta aceitvel naquele momento. 
- Eu sei.
J eram quase cinco horas da tarde quando as duas se separaram, cada uma partindo em seu carro. Em meio ao trfego, Aysha teve o cuidado de esperar sair do alcance visual de sua me para fazer o retorno e rumar para a casa, em vez de ir para o apartamento. Se seus pais soubessem que os dois estavam morando separados, na semana do casamento, seria uma balbrdia.
Ao chegar em casa, encontrou tudo quieto demais. Sentindo-se compelida a fazer algo que no fosse cuidar dos preparativos do casamento, foi at o quarto, colocou um biquni e desceu para o trreo outra vez, rumando para a piscina.
Depois de muitas braadas, sentiu que estava mais tranqila, no controle de seus prprios nervos. Ficou boiando por algum tempo e ento nadou de costas at a borda, saindo da gua e retirando o excesso de gua dos cabelos com uma toalha. A umidade restante ajudaria a mant-la refrescada.
Recostando-se em uma espreguiadeira estofada, ficou admirando a vista esplndida da marina enquanto descansava. Seus olhos foram ficando pesados e o calor aconchegante do pr-do-sol a fez cochilar.
Foi  beira da piscina que Carlo a encontrou uma hora depois, depois de passar alguns minutos de incrvel preocupao procurando-a por toda a imensa casa.
O ltimo lugar que pensou em olhar foi no terrao. A sensao de alvio que teve foi ainda maior do que a vontade de ir at l e repreend-la por t-lo feito passar por tal agonia.
Deslizando a porta em silncio, ficou parando olhando-a dormir. Fazia dias que no a via to descontrada. Era uma pena precisar acord-la daquele sono profundo e tranqilo.
Um sorriso curvou-lhe os lbios. Desejava se aproximar e acarici-la at faz-la despertar por completo, beijando-a e explorando cada centmetro daquele corpo perfeito. Queria ver aqueles lindos olhos se abrindo diante dos seus, expressando amor e carinho no momento em que ela o identificasse.
O problema era que, do jeito que estavam as coisas, a reao que obteria seria muitssimo diferente daquela que ele tanto desejava.


Captulo 10


- Aysha 
Ela estava sonhando e foi preciso lutar para sair do torpor do sono ao ouvir seu nome. Era Carlo.
A cena que se passava em sua mente se fundiu  realidade. O local e a pessoa estavam corretos, mas a situao era bastante diferente.
Levantando-se, virou-se de lado e colocou os ps no cho, hesitando um momento, antes de se levantar.
- J  to tarde assim? Devo ter cochilado - murmurou Aysha, tomando conscincia de quanto ele estava atraente e bem-arrumado.
- Vou tomar banho e me vestir.
Deixando-a passar  frente, Carlo seguiu-a casa adentro. Ao v-la subir a escada, dirigiu-se  cozinha da casa e pegou uma lata de refrigerante na geladeira. Fazendo uma careta ao ver que era diettico, soltou um suspiro e a abriu mesmo assim. Comeou a beber e a caminhar de um lado para outro, sentindo-se agitado demais para ficar parado em um s lugar.
Havia novos detalhes de decorao que tornavam o lugar ainda mais aconchegante. Mas, se desfrutariam ou no daquele conforto como duas pessoas felizes, ainda era uma incerteza.
Ao verificar o relgio, constatou que apenas cinco minutos haviam se passado. Aysha demoraria pelo menos mais meia hora para acabar o banho, secar os cabelos, vestir-se e aplicar a maquilagem.
Na verdade, j haviam se passado quarenta e cinco minutos quando ela voltou para o andar de baixo. O vestido de noite, feito de um refinadssimo tecido cor de salmo, parecia aderir quele corpo escultural de maneira a faz-lo lembrar o de uma sereia. A maquilagem leve realava-lhe os olhos castanhos e os cabelos dourados, presos em um coque requintado e elegante no algo da cabea. Uma nica mecha cacheada descia-lhe pelo lado do rosto e chegava  altura do queixo, dando um toque de charme irresistvel ao seu visual.
Aysha no achou difcil sustentar o olhar dele quando se encararam, mas foi impossvel impedir a acelerao de seus batimentos cardacos ao v-lo fit-la de alto a baixo com ar de desejo e comear a se aproximar.
- Vamos saindo? - convidou ela, mantendo a voz em tom calmo.
- Antes de irmos, h algo que quero que leia.
Carlo pegou o envelope pardo que deixara sobre uma mesa prxima e o entregou a Aysha.
A pessoa terna e maravilhosa de uma semana antes j no existia mais. Exceto,  claro, quando estava interpretando um papel na frente dos outros.
Quando estavam sozinhos, a espontaneidade do riso dela desaparecera, bem como a alegria em seus olhos e a alegria de seu comportamento.
A cena que Carlo fizera junto a Nina, horas antes, gerara algumas conseqncias, mas isso no importava. A alegria de Nina, ao aceitar seu convite para almoar, deixara-o enojado. E ele no perdera tempo em inform-la o que pretendia fazer em retaliao, caso ela voltasse a causar qualquer tipo de preocupao ou desgosto a Aysha.
Carlo fora bastante longe em seus esforos para tentar eximir todas as dvidas de Aysha. Agora s faltava contar tudo. Mostrar a verdade a ela.
- Leia isso, cara.
- Isso no pode esperar?
Colocando as mos nos bolsos, ele tentou relaxar sua musculatura, que estava tensa demais.
- No.
Ao ver a expresso dele, ficou claro que no adiantaria discutir. Mesmo assim, arqueou a sobrancelha com ar curioso, sem abrir o envelope enquanto o encarava.
- Por favor, leia - insistiu ele, parecendo ansioso. Soltando o cordo que mantinha a aba fechada, Aysha retirou os papis que estavam l dentro.
O primeiro documento era uma nica pgina, com uma assinatura que ela jamais vira antes reconhecida em cartrio. Contudo, no precisaria da ajuda de ningum para identificar uma das testemunhas, pois Samuel Sloane era um dos homens mais proeminentes entre os advogados famosos do pas.
Passando os olhos pela escrita, comeou a ler com mais ateno quando tornou conscincia que se tratava de uma declarao atestando que Nina di Salvo contratara os servios fotogrficos de William Baker, com instrues especficas para fotograf-la na companhia de Carlo Santangelo em posies comprometedoras, que haviam sido previamente combinadas e treinadas, pela soma de cinco mil dlares por negativo.
Aysha pensou nas fotos que Nina lhe mostrara e concluiu que suas suspeitas estavam corretas. Tudo no passara de uma armao. Encarando-o, disse apenas:
- No pensei que ela iria to longe.
Ele comprimiu os lbios, como se estivesse se contendo. 
- Duvido que essa mulher volte a nos incomodar no futuro. J me certifiquei isso.
- Controle de danos - murmurou Aysha, observando-o estreitar o olhar e balanar a cabea afirmativamente. - Um pouco do prprio remdio dela.
- Entendo.
Para alvio de Carlo, ela estava comeando a entender. Mas ainda havia um passo importante a ser dado.
- Leia o segundo documento.
Colocando a folha solta de volta no envelope, Aysha comeou a ler com cautela aquilo que parecia ser um contrato. Apesar dos termos legais que mais complicavam do que explicavam, no havia dvidas do que se tratava: quaisquer bens herdados por ambos, de seus respectivos pais, permaneceriam apenas em nome dela, para seu uso e fruto pessoal. Quando isso viesse a acontecer, Carlo Santangelo assumiria apenas a responsabilidade financeira pela Benini-Santangelo.
Havia apenas uma pergunta. 
- Por qu, Carlo?
- Porque eu te amo.
Aysha ouviu as palavras e seu corpo inteiro estremeceu. A quietude da sala pareceu se intensificar at o silncio se tornar quase tangvel.
De algum modo, conseguiu erguer o tom de voz e dizer: 
- Se isso  algum tipo de truque ou brincadeira, pode dar meia-volta e sumir daqui.
Os olhos dela ficaram marejados de lgrimas, pois era impossvel controlar ou esconder a emoo que estava sentindo. Ento Carlo fez uma expresso apaixonada pela qual ela daria a vida sem pensar.
Segurando as mos dela em uma das suas, segurou-a pela nuca com a outra.
- Eu te amo. Te amo de corpo e alma, Aysha. E amo s voc - falou ele, roando os lbios no rosto dela e voltando a sustentar-lhe o olhar. - Pensei que o amor que eu havia sentido por Bianca fosse insubstituvel, mas agora sei o quanto estava errado. Sempre houve voc. Senti uma afeio imensa desde que a vi nascer, um respeito enorme quando a vi tornar-se uma mulher e uma admirao mpar quando a vi tomar as rdeas de sua vida. - Ao ser segura pelos ombros e puxada para perto dele, Aysha pousou as mos sobre o peito msculo e o empurrou com delicadeza. Seria muito fcil se deixar seduzir por aquele sonho. Mas aquele momento precisaria estar livre de qualquer dvida ou mal-entendido causados pela paixo que preenchia seu corao.
- No consigo pensar com clareza quando voc me abraa - falou Aysha.
O olhar dele era to expressivo que parecia ser possvel ver a alma de Carlo por inteiro.
- E to importante assim pensar com clareza nesse momento?
- Sim, .
Ele a soltou, mas no se afastou. Seu olhar continuou transmitindo uma expresso de paixo sincera e desmedida. Aquilo com que sempre ela sempre sonhara. Alguns segundos se passaram enquanto Aysha o fitava com intensidade.
O sorriso dele a desarmou por completo, fazendo-a sentir uma onda de calor pelo corpo.
- Voc quer tudo, no ?
Os lbios dela estremeceram enquanto ela se esforava por recuperar o controle de suas emoes. Mas seu corpo inteiro parecia vibrar por dentro, como se todo seu ser fosse desabar a qualquer momento.
- Quero.
Carlo colocou as mos nos bolsos da cala e sorriu de uma maneira diferente, como se estivesse se abrindo por completo com algum pela primeira vez na vida.
- Eu sabia que se ns nos casssemos, tudo daria certo. Temos histrias familiares parecidas, pertencemos ao mesmo crculo social, freqentamos as mesmas escolas, mesmo que em pocas um pouco diferentes, e compartilhamos de muitos interesses em comum. Tnhamos uma base de amizade e afeio sobre a qual construir um futuro.
Aysha mal podia acreditar na expresso dele. Era como se seu sorriso e seu olhar fossem capazes de dizer tudo aquilo sem o uso de palavras.
Carlo prosseguiu:
- No comeo eu estava convencido de que isso bastaria. Eu no esperava que esses sentimentos se desenvolvessem e se transformassem em algo mais. Muito menos em algo genuinamente maior.
- E agora?
- Preciso fazer parte da sua vida, quero que me deseje tanto quanto eu a desejo, como amiga, como esposa, como a outra metade de minha alma. - Ele tirou as mos dos bolsos e segurou o rosto dela com carinho. - Para am-la como voc merece ser amada, de todo corao, por toda minha vida.
Ao sentir as lgrimas que lhe vieram aos olhos, Aysha piscou depressa para dispers-las. Naquele exato momento, considerou-se incapaz de pronunciar qualquer palavra.
Seria possvel que ela tivesse noo de quanto era transparente? A intimidade era uma arma poderosa, persuasiva e invasora, e qualquer um poderia lanar mo dela sem o  menor esforo. Seria muitssimo fcil aproximar o rosto do dela, pux-la para perto de si e deix-la sentir a reao que provocava nele. Poderia acariciar aquele corpo maravilhoso com as mos, tomar posse daqueles lbios...
Mas Carlo no fez nada disso. 
- Sim.
Ao ouvir aquela simples afirmativa, cada msculo de seu corpo, cada nervo tenso de descontraiu. Nada mais importava, exceto o amor que sentiam um pelo outro e a vida que teriam juntos.
- Sem restries?
Aysha balanou a cabea negativamente. 
- Nenhuma.
Os lbios dele voltaram a se curvar em um sorriso, dessa vez com traos de satisfao.
- Voc nem imagina como essa sua certeza me deixa feliz.
Dizendo isso, puxou-a para perto de si e se apoderou daqueles lbios que tanto esperara por beijar. O contato comeou leve e sutil, como uma carcia de provocao sensual. Ento foi surgindo um fervor apaixonado que a fez levar os braos a seus ombros e ento enlaar seu pescoo, acariciando-lhe a base da nuca com uma massagem sedutora.
Aysha sentiu o corpo dele estremecer sob suas carcias, enquanto se deliciava na fora daquele beijo. Sua lngua se encontrou com a dele em uma espcie de dana de seduo.
As mos grandes e fortes de Carlo se tornavam to gentis enquanto exploravam seu corpo que era quase como se estivessem em um sonho. Cada toque parecia comear uma chama local que se somava ao incndio que ardia dentro dela.
Pareceu haver se passado uma era inteira em um instante, at que ele levantou o rosto e a encarou, sustentando-a em seus braos.
- Voc confia em mim, cara?
Ao ouvir o tom profundo da voz dele, foi possvel distnguir a seriedade da pergunta. Seus olhares se encontraram e se sustentaram em um breve e significativo silncio. No havia dvidas em sua mente e muito menos em seu corao.
- Sim.
- Ento, venha comigo. 
- Est bem.
- Ah, quanta docilidade - provocou Carlo, enquanto roava os lbios na tmpora dela.
Aysha colocou as mos de ambos os lados do rosto dele e o puxou para si, enquanto inclinava o rosto para beija-lo com ardor e paixo.
Foi possvel sentir a pulsao do corao dele se acelerar de maneira drstica e ela sentiu uma onda de prazer diante daquela sensao de poder ter o controle sobre si mesma. Carlo interrompeu o contato com certa relutncia.
-  muito difcil de resistir  tentao de fazer amor com voc, aqui mesmo, agora...
Um sorriso sensual se formou nos lbios dela. 
- Mas algo me diz que voc resistir.
As mos dele deslizaram at os ombros de Aysha, pressionando-os com carinho.
- Por um bom motivo. Afinal, trata-se apenas de um breve adiamento...
Dizendo isso, soltou-lhe os ombros e a segurou pela mo, puxando-a consigo rumo  porta.
- Por acaso seus planos incluem o detalhe de me contar para onde estamos indo?
- A um lugar muito especial.
Levando-a porta afora, Carlo a conduziu rumo  parte traseira da casa.
- Aqui? - indagou Aysha, confusa, enquanto se aproximava da pequena rea coberta que ficava no meio do jardim adjacente  piscina.
As luzes se acenderam como em um passe de mgica, iluminando a construo delicada que se assemelhava a uma verso moderna de um coreto de praa. O brilho reluziu pela grama recm-plantada e pela gua da piscina, criando um efeito surrealista.
Ela arregalou os olhos ao avistar um homem e duas mulheres sob a delicada estrutura, parados de p diante de uma pequena mesa retangular que estava forrada com uma toalha de renda branca. Dois castiais acesos liberavam uma fumaa branca e delicada de suas chamas brilhantes e intensas. Havia um maravilhoso perfume de rosas permeando o lugar, como se uma fada houvesse sacudido sua varinha de condo e tornado tudo perfeito. 
- Carlo?
Quando verbalizou aquele tom indagador, viu a resposta naqueles olhos escuros como a noite, que brilharam com paixo admirvel e nica. Com amor verdadeiro.
- Isto  para ns - murmurou ele com carinho, enquanto a puxava para junto de si e ajustava o corpo dela ao seu. -A superproduo de sbado ser para satisfazer nossos pais e as expectativas dos convidados.
Aysha sentia como se todo seu ser estivesse derretendo por dentro. Era difcil saber se a vontade que sentia era de rir ou de chorar de alegria.
Havia menos de duas horas, estava deitada na espreguiadeira, pensando nas amarguras de sua vida.
- Voc est bem? - insistiu Carlo.
As batidas de seu corao aceleraram ainda mais, parecendo ecoar em seus ouvidos. Um sorriso espontneo se formou em seus lbios, refletindo sua felicidade interior. 
- Sim.
Feitas as devidas introdues, Aysha assumiu solenemente seu lugar ao lado dele, diante da juza de paz. Se a mulher se surpreendeu pelos trajes inadequados dos noivos, no demonstrou nada. Agindo com a naturalidade de quem j oficializara centenas de unies, fez um pequeno e significativo discurso sobre o casamento que deixou os noivos emocionados.
Carlo trocou a aliana dela de mo, passando-a para a esquerda e Aysha fez o mesmo com a dele em seguida. Seu peito foi tomado por uma onda de emoes quando a juza os declarou marido e mulher.
Aproximando os lbios dos dele, saboreou aquele beijo como nenhum outro. Aquilo era o mais prximo do paraso que se podia estar. Foi com um lamento que ela o deixou se afastar.
O ardor e a paixo estavam l, como antes, mas muito mais potentes, graas  revelao do amor entre eles. Lanando-lhe um olhar provocante, viu-o reagir de imediato, encarando-a com um desejo mais do que evidente.
Havia champanhe em um balde de gelo e Carlo a abriu, preenchendo as taas de todos. A bebida de excelente safra era deliciosa, mas cada minuto daquele demorado brinde oferecido pelo casal de testemunhas pareceu demorar uma eternidade.
Completadas as obrigaes oficiais e sociais, a juza se despediu e levou consigo as testemunhas que assinaram com ela a certido de casamento.
Entregue aos braos dele, Aysha aproveitou cada momento daquela noite, registrando-os como tesouros em seu corao.
Ela e Carlo estavam casados.
Era difcil de acreditar. Havia tantas perguntas a serem feitas, mas aquele no era o momento. No ainda. Haveria muito tempo para isso depois.
Naquele instante, o que importava era saborear o momento.
- Voc est muito quieta - murmurou Carlo junto a seu ouvido, fazendo-a arrepiar-se de prazer.
- Sinto como se estivssemos sozinhos no universo - falou ela, em tom sonhador, ento curvando os lbios. - Bem, quase. S  preciso ignorar a vista da cidade, as luzes da rua, as casas da vizinhana e pronto.
- Engraado. Pensei que, a esta altura, estaria fazendo um milho de perguntas - falou ele, em tom de divertimento.
- No agora.
Ao responder, ela deslizou a mo pelo rosto dele de maneira provocante, roando ento a ponta das unhas em seu pescoo, fazendo-o ficar excitado de imediato.
Uma daquelas mos fortes deslizou por seu decote, apoderando-se de um de seus seios e explorando o mamilo intumescido. Aysha sentiu o corpo estremecer de prazer e um gemido escapou por entre seus lbios.
Carlo respirou de maneira profunda e se afastou. Comeou a andar e a pux-la pela mo, rumando para seu carro: Venha, vamos sair daqui.
- Para onde iremos?
- Reservei uma sute para ns em um hotel maravilhoso. Um jantar  luz de velas, champanhe no gelo... 
- Por qu? - indagou ela, de maneira direta. - Para que isso, se o que precisamos est bem aqui?
- Quero que esta noite seja memorvel.
- E ser - respondeu ela, em tom de promessa.
- No quer mesmo um quarto luxuoso, um jantar requintado e champanhe da melhor safra? - insistiu Carlo. 
- Tudo que quero  voc. S voc. Sbado cumpriremos todas essas formalidades. Passaremos a noite em um hotel e viajaremos na manh seguinte, para a lua-de-mel. Mas na noite de hoje... poderemos saciar nossos desejos. Ele a beijou de maneira provocante.
- Comeando agora mesmo?
- Aqui? Na frente dos vizinhos?
Erguendo-a nos braos, Carlo a carregou para dentro, rumando para o quarto principal, enquanto Aysha o beijava sem parar, deixando-o quase fora de si.
Quando foi colocada no cho, ao lado da cama, ela o deixou despi-la devagar, desfrutando cada momento, cada movimento. O desejo que sentia aumentava cada vez mais. Parecia impossvel esperar que aquela deliciosa tortura acabasse.
Ao ficar nua, porm, retribuiu a gentileza, impedindo-o de toc-la enquanto o despia e o acariciava com o mesmo grau de intimidade, fazendo-o gemer enquanto se esforava para se conter.
Quando seus corpos se uniram intimamente, foi algo muito maior e mais intenso do que jamais haviam compartilhado antes. O xtase pareceu querer perdurar pela eternidade, to intenso que os afastou do mundo e de todos.
Conforme foram se tornando sensveis ao mundo outra vez, suas respiraes foram se acalmando e Aysha se deixou repousar no abrao dele.
Ento lhe ocorreu uma pergunta: 
- Vamos contar a nossos pais? Carlo roou a face no alto da cabea dela.
- Deixemos que uma pequena alterao no texto da juza, de "unio" para "reafirmao dos votos" conte a histria por ns no dia da cerimnia.



Captulo 11


Aysha acordou com o som da chuva. Espreguiou-se com languidez, antes de virar a cabea para olhar o relgio sobre a mesinha-de-cabeceira. Passava um pouco das sete horas.
A qualquer momento, Teresa bateria  sua porta e o dia comearia. Com sorte, teria mais uma hora, talvez duas, antes de sua me comear a verificar tudo nos mnimos detalhes.
Aysha se levantou e andou descala at a janela. Ao afastar a cortina, conteve um gemido de protesto ao ver a chuva forte que estava caindo l fora.
Sabia que sua me consideraria isso como um mau agouro e que teria de se conter para no contestar isso contando a verdade.
Havia acabado de se vestir e estava preparando para descer quando seu telefone celular comeou a tocar.
- Carlo?
- Quem mais poderia ser?
A voz aveludada e grave provocou um arrepio em Aysha. 
- Ora, alguma das minhas damas de honra, sua me, a nonna Benini... - Ela riu. - Ligou por algum motivo em especial?
- Voc no estava mais do meu lado quando a procurei no meio da noite - protestou ele, mas com um tom gentil. - Fiquei apenas com o cheiro do seu perfume no travesseiro, lembrando-me de quanto foi bom t-la nos meus braos. Senti sua falta, cara.
Aysha fechou os olhos por um instante, lisonjeada. 
- Tambm estou sentindo a sua. Mas tenho de cuidar das coisas por aqui.
-	Dormiu to pouco quanto eu, no ? 
-	Uma hora ou duas - respondeu ela. 
- Est vestida?
- Sim.
- Que pena. Minha fantasia ter de ser suficiente. 
- Voc, com certeza, j tomou banho, barbeou-se e est pronto para tomar o desjejum, certo? - brincou Aysha. Carlo riu com charme.
- Para ser sincero, no. Estou deitado na cama, economizando minha energia.
S de pensar naquele corpo msculo e nu deitado entre os lenis, Aysha sentiu uma onda de calor.
- No acho que devamos fazer isso. 
- Isso o qu? - perguntou Carlo. 
- Sexo por telefone.
Ele riu.
-  isso o que acha que estamos fazendo?
- No sei ao certo - admitiu ela, rindo. - De qualquer maneira, prefiro um pouco mais de realismo.
- Aysha - Teresa a chamou  porta. 
- J estou indo, mamma.
- No me deixe esperar demais hoje na igreja, cara - pediu Carlo, enquanto ela atravessava o quarto.
- Chegar pelo menos cinco minutos atrasada j faz parte da tradio - brincou Aysha, abrindo a porta. - Ciao. - Teresa estava de p do lado de fora.
- Buon giorno, querida. - Ela olhou para o telefone celular. - Estava falando com Carlo? - Sem esperar pela resposta, entrou no quarto e abriu mais as cortinas. - Est chovendo.
- A festa comear s quatro - Aysha lembrou.

- Antnio passou tanto tempo cuidando do jardim nos ltimos dias - lamentou Teresa. - Ser uma pena se no pudermos nem mesmo tirar algumas fotos nele.
- Poderemos tirar fotos na parte coberta do jardim, mamma.
- Eu sei. Mas as fotos na parte a cu aberto ficariam perfeitas.
Aysha suspirou. O problema da pessoa perfeccionista era que nada ia ao encontro de suas grandes expectativas. 
- Est parecendo muito calma para uma noiva, querida. - Teresa sorriu.
"Estou assim porque Carlo me ama. E porque j estamos casados", Aysha teve vontade de responder.
- Vai me ver dentro de algumas horas - foi tudo que respondeu, tambm sorrindo.
Lianna, Arianne, Suzanne e Tessa chegaram  hora do almoo, e logo o ambiente se tornou mais do que animado com os comentrios bem-humorados das quatro.
- Trs chique, querida - brincou Lianna, olhando Aysha de alto a baixo. - Ps descalos, jeans desbotado e um top. Sem dvida,  a ltima moda para noivas modernas. Basta pr o vu e causar a maior sensao. 
- Minha me teria um enfarte. - Aysha riu.
- Bem, estamos todas prontas para entrar em ao - disse Suzanne. - Basta mandar e ns comearemos. Juntas, elas entraram em modus operandi, mas tiveram de esperar um pouco pelo cabeleireiro e pelo maquiador, que chegaram atrasados.
Quando as damas de honra entraram no quarto da noiva, depois de serem penteadas e maquiadas no aposento ao lado, encontraram Teresa ajeitando cada um dos vestidos. Tessa revirou os olhos e lanou um olhar significativo para as outras.
- Quando os "terrorzinhos" iro chegar? - perguntou Lianna.
- Ah, meu Deus! - Teresa olhou para Aysha com ar de preocupao. - Voc viu um recipiente de plstico com ptalas de rosa, na caixa que a floricultura enviou? Aysha balanou a cabea negativamente. Teresa saiu do quarto praticamente correndo.
- Pelo amor de Deus, Aysha - disse Lianna -, entre logo nesse vestido que ns a ajudaremos a fech-lo e... - Um grito de protesto veio da sala. - Acho que teremos mesmo problemas com as ptalas de rosa, no? - Em um tom de conversa informal, continuou: - Vou oferecer uma ajudazinha a Teresa, antes que ela acabe mesmo tendo um enfarte - disse e saiu.
Dez minutos depois, Lianna voltou. Ao v-la, Aysha apenas arqueou uma sobrancelha.
- Um recipiente com as ptalas foi parar na casa de Gianna, e no me pergunte como. Mas como precisaremos de dois, Giuseppe foi encarregado de encher outro usando as rosas do jardim de Antnio.
- De quem foi a idia? - Aysha balanou a cabea, imaginando como sua me deveria estar. - No me diga. Foi sua, certo?
Lianna se inclinou, como quem agradece pelos aplausos de uma platia.
- Claro, minha cara. Que outra escolha tnhamos? - Ouviu-se uma movimentao na sala. - Oh-oh. A vem a "cavalaria das crianas".
- Lianna! - Todas a censuraram.
Com a ajuda das amigas, Aysha finalmente colocou o vestido todo bordado com prolas. O corpete justo moldava seu corpo perfeito e, na altura da cintura, abria-se em uma ampla saia de tafet. Sobre ela, caam fileiras de prolas bordadas em uma camada de renda. O vu era do mais fino tule e ficava preso pelo belssimo arranjo de prola e flores de seda que havia substitudo a tiara que Aysha usaria no comeo.
- Uau! - As quatro exclamaram, andando em volta dela e admirando-a. - Est uma verdadeira princesa, querida. Lindssima.
Teresa entrou de repente no quarto.
- s crianas j esto... Dio Madonna! - exclamou ela, ao ver a filha. - Acho que vou chorar.
- No vai, no - falou Lianna, fazendo as, outras rirem. - Lembre-se da maquilagem. A me da noiva s pode chorar depois do casamento.
Teresa no conteve o riso. Aproximando-se de Aysha, beijou-a nas faces.
- Est linda, querida. Linda... Oh, meus Deus...
- Opa! - Lianna as interrompeu. - Hora de sairmos. 
Quando a limusine parou diante da igreja, havia vrias pessoas esperando do lado de fora para ver a noiva. Enquanto Giuseppe ajudava a filha a sair do carro, uma srie ininterrupta de flashes os iluminou.
Assim que todos se posicionaram  entrada da igreja, soaram os primeiros acordes da Marcha Nupcial. Estavam no meio do longo corredor forrado com tapete vermelho quando o olhar de Aysha e o de Carlo se encontraram. E ele sorriu. Sorriu s para ela, e de um jeito que somente ela entendeu. Isso se chamava intimidade, e era maravilhoso poder compartilhar algo assim com o homem que ela amava.
Quando Giuseppe entregou a mo da filha ao genro, Carlo a segurou com carinho e beijou-lhe o dorso. Em seguida, o padre comeou a cerimnia.
No momento em que o sacerdote disse que eles estavam reunidos ali para "reafirmar" os votos de casamento,  detalhe no passou despercebido pelos convidados, dando incio a um discreto burburinho.
Aysha e Carlo trocaram um olhar e um sorriso enquanto a cerimnia prosseguia, com a troca de alianas e os juramentos.
J dentro da limusine, a caminho da recepo, Aysha pde finalmente desfrutar de um momento mais ntimo com o marido.
- Voc est linda - disse Carlo. - Nunca mais vou esquecer a imagem de voc entrando na igreja e vindo at mim com aquele brilho no olhar.
Depois de um beijo, Aysha falou:
- Agora vir a parte do bolo e do champanhe. 
- E eu poderei danar com minha esposa.
- Sim, depois dos discursos, da comida, das fotos... 
- E depois de tudo poderemos ir para casa.
Oh, Deus. Aysha conteve o flego. Como agentaria esperar por aquele momento ao longo das horas seguintes? O casamento, a festa e todos os detalhes foram perfeitos. Em grande parte, graas a Teresa, Aysha teve de reconhecer. O momento de se despedir de seus pais dessa vez foi diferente, fazendo surgir lgrimas no apenas nos olhos deles, mas tambm nos dela.
Houve muito confete, arroz e risadas no momento em que os dois escaparam para a limusine. O trajeto at o hotel de luxo onde Carlo havia reservado a sute da cobertura por uma noite foi bem rpido.
Quando saram do elevador, no ltimo andar, Aysha se surpreendeu quando Carlo a ergueu nos braos. Depois de trocarem um beijo apaixonado, ele a levou para o quarto.
Ao lado da cama, sobre uma mesinha, um balde de prata com champanhe gelado os aguardava para a comemorao particular. Aysha ficou esperando Carlo abrir a garrafa e riu alto quando a tampa saltou longe.
Tambm rindo, Carlo encheu duas taas e entregou uma ela.
- A ns.
-  nossa felicidade. Sempre - completou ela, tocando a taa na dele.
Depois de provarem a bebida, Carlo pegou as taas e deixou-as sobre a mesa. Ento segurou o rosto dela entre as mos.
- Eu te amo, Aysha. - O beijo que trocaram foi suave, apaixonado. - Eu j lhe disse o quanto voc est linda?
- Sim. - Ela sorriu. - Vrias vezes.
Dessa vez, o beijo que trocaram foi mais ousado e as provocaes sensuais de Carlo fizeram o desejo se acender no corpo dela.
- S mais uma coisa - disse Aysha, tendo de se esforar para se afastar um pouco.
- Qualquer coisa - respondeu Carlo, com voz rouca. - Qualquer coisa, cara. Basta pedir.
Ela sorriu e fechou os olhos quando ele lhe beijou a curva sensvel do pescoo.
- Tenho uma coisa para voc - disse a ele. - No preciso de mais nada, exceto voc.
Aysha o beijou brevemente, antes de se afastar e ir pegar um envelope branco que ela mandara ser deixado no quarto.
- O que  isso? - perguntou Carlo.
Ela sorriu. Bastara um telefonema com instrues especficas a respeito de seu desejo de passar seus bens igualmente para o nome de Carlo e seu advogado cuidara do resto. Depois, tudo que ela tivera de fazer fora ler e assinar o contrato. Um contrato que demonstrava sua total confiana no marido.
- Abra e veja - disse a ele.
Carlo estreitou o olhar e abriu o envelope devagar. Ento pegou os papis e comeou a l-los. Sua expresso foi se modificando conforme ele foi entendendo do que se tratava e o que ela havia feito.
Por fim, ele abaixou os documentos e olhou-a com ateno. 
- Aysha...
- Eu te amo, Carlo. Sempre te amei. - Aysha sempre tivera dvida se conseguiria conter tanto amor em seu corao. Pelo visto, isso era mais do que possvel. - Eu sempre vou ter amar.
Carlo sorriu. Esse era o melhor presente que ele poderia receber.
- Eu sei - disse a ela, em um tom irresistivelmente carinhoso.  - Venha c...
Puxando-a com gentileza para si, abraou-a com um carinho infinito. Os papis foram parar no cho quando ele lhe cobriu os lbios em um beijo ardente. Um beijo que indicava que, no momento, ele tinha outros planos em mente.
O paraso no poderia ser muito melhor do que isso, pensou Aysha, enquanto se rendia aos braos do marido. Quando voltou a abrir os olhos, j estava deitada na cama, com o lindo rosto de Carlo acima do seu.
- Ti amo - sussurrou para ele. - Ti amo.
Carlo beijou-a de um modo possessivo, como se quisesse guardar consigo para sempre o sabor adocicado dos lbios dela.
- In eterno - murmurou ele.
Pela eternidade e, com certeza, um pouco mais alm...

*****FIM****
